Mateus Sartori retorna de um hiato de sete anos como cantor, agora com uma “sonoridade diferente de todas as outras”. No sexto disco de estúdio ele se reinventa musicalmente em 14 canções que tratam, entre outros temas, da importância da arte em sua trajetória. “Na Volta Que o Mundo Dá (disponível nas principais plataformas digitais) funciona como um “grito de alforria” e traz um artista leve e à vontade, ansioso para retornar aos palcos, onde já esteve ao lado de Jorge Vercillo, Jair Rodrigues, Ivan Lins, Guinga, Renato Brás, Flávio Venturini e outros grandes nomes da MPB.

Cada música funciona como um depoimento íntimo do cantor, embora essa não fosse a intenção inicial. O repertório trata a arte como um “estado de liberdade” e oferece um olhar saudosista sobre o passado, mas Sartori garante que a seleção do repertório não foi para atender uma linha de reflexão, ou mesmo um tema específico, até mesmo porque as letras são assinadas por diferentes nomes. “O projeto foi evoluindo naturalmente, e quando menos percebi, as canções falavam de mim e de alguns sentimentos atuais”, diz ele.

Com produção e arranjos de Guilherme Ribeiro, “Na Volta Que o Mundo Dá” foi gravado em São Paulo, no Estúdio Da Pá Virada, e contou com o piano rhodes, teclados e acordeom do próprio Guilherme Ribeiro, violão e guitalele de Bruno Conde, o baixo de Igor Pimenta, a guitarra de Conrado Goys e as baterias de Priscila Brigante e Thiago Rabello, este último responsável pela gravação e mixagem do álbum. Todos juntos, numa mesma sala, gravando simultaneamente com registros em vídeo de Dani Gurgel, que podem ser conferidos no Canal do YouTube do cantor.

Músicas

Envolvidos numa mesma sintonia, a intenção dos músicos fica clara logo na primeira canção, “Carrossel do Destino”, assinada por Antonio Nobrega e Bráulio Tavares. A sonoridade leve e crescente sugere que “tudo o que aprendemos na vida não é suficiente”. Com refrão contagiante, a canção mostra que o conhecimento é cíclico e convida a seguir para as próximas músicas.

A sequência traz a faixa-título, de Paulo Cesar Pinheiro e Vicente Barreto, que emociona com versos sobre a saudade que não se sabe bem de quê, a tristeza que não se sabe por quê e a angústia de não se entender tudo na vida. Interpretativa, “Na Volta Que o Mundo Dá” sugere a saudade de seu interlocutor em retornar à criação artística e mostra que, às vezes, o melhor lugar para se estar é aquele por onde já se tenha passado. No caso de Sartori, esse lugar é a música.

A partir daí, o disco que já revelou parte da intimidade de seu intérprete se abre para o olhar sobre o passado. É o caso de “Truque de Menino”, de Marco Vilane, Marcio Pazin e Ériko Theobaldo, que conta a história de alguém que “trocou o terno pelas cordas de uma viola”. Aqui, com voz suave, o cantor sugere enxergar a arte como “um instrumento de libertação”.

Mais poética, “Atalaia” de Bruno Conde e Bruno Kohl, prepara o ouvinte para a única faixa do disco que tem o próprio Sartori como um dos compositores, ao lado de Paulo Henrique (PH) e Henrique Abib: “Madeira Santa”.  com versos que sugerem a inocência de outrora, ele canta ter talhado “na madeira santa” a “imagem do amor”.

“Foguete”, escrita por J. Velloso e Roque Ferreira, é ainda mais explícita ao falar de amor. As rimas lembram os balões juninos, os fogos de artifício de felicidade e os atos simples, como “enfeitar a casa para receber a pessoa querida”. A escolha da canção também é uma homenagem aJoão Cabral de Melo Neto, cujo centenário foi comemorado em janeiro último.

Vale destaque a melodia de “Dona do Sonho”, outra parceria de mogianos, agora Gui Cardoso e Rabicho. Com sonoridade e poesia que fazem referência às tradições e matrizes africanas, a letra trata de uma figura feminina, uma mulher que se torna sereia e que é a protagonista de uma história de amor que se repete várias vezes, no campo imaginário dos sonhos.

O disco adquire mais visceralidade em “Pescador da Lua”, de Rafael Altério, Rita Altério e Breno Ruiz, e “Samba da Utopia”, de Jonathan Silva. Nessas canções, Sartori traz o canto “como alforria, um grito de liberdade” e também como forma de protesto. Como diz o refrão da primeira, ele canta “porque Deus mandou”, e como sugere a segunda, sua inquietação vem de “um país que menospreza setores tão importantes como a cultura e a educação”.

Há ainda “Sete Trovas”, de Etel Frota, Consuelo De Paula e Rubens Nogueira, que reforça a ideia de tudo que a música significa para o cantor, ou seja, ela é o seu “estandarte”, seu “talismã”; ‘Fuzuê’, de Toninho Nascimento e Romildo Bastos, que tem refrão forte e mostra que “paredes de barro” ou qualquer outra barreira, mesmo que simbólica, não prendem um cidadão, um artista, um ser humano; e “Inequação”, de Kléber Albuquerque e Táta Fernandes, letra mais filosófica, que funciona como um “poema musicado” para mostrar que é bom “inquietar-se” com a vida e claro, “mudar”. “Guriatã”, de Roque Ferreira, com analogia a um pássaro que morre exercendo seu dom, o canto, prepara o ouvinte com o seu jeito brejeiro para a última canção, uma composição de Paulinho Moska, que fecha o disco “costurando” todos os temas abordados nas canções anteriores. Como uma conclusão, em “Tudo Novo De Novo” Sartori canta “tudo novo de novo, vamos mergulhar do alto onde subimos”.

O cantor

Nascido em Franca/SP e residente em Mogi das Cruzes desde seus 2 anos de idade, Sartori, que também é Secretário de Cultura de Mogi das Cruzes, teve, ainda muito pequeno, contato com a música ouvindo modas sertanejas interpretadas por familiares no interior paulista. O disco de estreia, “Todos os Cantos”, veio em 2006 e conta com as participações de Renato Brás, Guinga e Nailor Proveta. Depois vieram mais quatro álbuns

Serviço

Evento: Cine Show Drive-in com Mateus Sartori – lançamento do CD “Na Volta que o Mundo Dá”

O que: Apresentação de vídeos das canções gravadas pelo cantor em seu novo álbum

Data: 24 de setembro (quinta), das 20h às 21h30

Local: Centro Esportivo do Bunkyo Mogi das Cruzes

Valor: R$30 cada veículo com até 4 pessoas e ganha o CD que será lançado

Evento Beneficente: A produção solicita que cada carro faça a doação de um pacote de macarrão e duas caixinhas de leite longa vida. Os alimentos arrecadados serão destinados  ao Fundo Social de Solidariedade de Mogi das Cruzes.