” Dentre todas as formas de orgulho e arrogância, a pior é a daqueles que se acham piedosos ou prodígios espirituais. Nada pode ser tão na contramão da espiritualidade, tão ignorante, quanto se sentir  responsável por uma missão externa. As verdadeiras missões nós as cumprimos sem saber que foram missões, na medida em que cuidamos de nós mesmos, que nos fazemos crescer para além de quem somos hoje”. Nilton Bonder. Com esse texto, do livro que estou lendo e adorando, Fronteiras da Inteligência, eu dou o meu bom dia a todos, reconhecendo que espiritualidade tem a ver com transformação. É mais fácil ficar com as  “próprias fraldas sujas”  do que dar-se o trabalho de tirá-las e limpar-se. Segundo Bonder, é dessa troca de fraldas, mais do que sonhar com mundos perfumados, que se constituem as missões. Poder mexer em nosso lixo é a tarefa mais sagrada e a única que permite ganho real no universo. Talvez uma das expressões mais concretas que chamam a atenção para essa contradição é o dito popular: ” Está com o rei na barriga?” Usada para alertar quanto à arrogância e a altivez, essa máxima nos faz lembrar o que há na barriga. Na barriga, temos a digestão e delas as fezes. É esse o seu “rei”?  Não se esqueça de que você é um “involucro de excrementos”. Entretanto, é isso mesmo. O seu reino é o seu lixo. Lidar com suas limitações e vícios lhe faz rei, único. Ninguém é rei, salvo pela capacidade de se transformar e emendar seus defeitos.