Hoje, 7 de abril, se comemora o Dia do Jornalista,  o profissional, que, mais que transformar os fatos em notícias, é o responsável por perpetuar os acontecimentos na história. Há  quase 45 anos na estrada, e evoluindo afinado as modernidades, como a Internet, venho registrando os mais relevantes momentos de uma sociedade. Confesso, que com o passar do tempo fui me apaixonando pelo trabalho, a ponto de elegê-lo como prioridade em minha vida, encerrando em  2003 a carreira de cabeleireiro.

Para não deixar a data passar em brancas nuvens, homenageio o meu padrinho no jornalismo, Chico Ornellas, o criador, compartilhando trecho do texto que escreveu para o livro W Crônica de um tempo,  falando da minha chegada. “  Foi no final de 1975, uma tarde, me comunicaram a saída do colunista social há muitos anos alimentando uma das páginas mais lidas do jornal: Mutso Yoshizawa, referência na Cidade, partira. Aportou em outra publicação em preparo por aqui. Alguns dias depois, um amigo comum levou-me em casa um jovem desconhecido. Rapaz alto, na metade de seus 20 anos, gestos gentis, veio me dizer da novidade já sabida. Falamos por horas e pouco, a empatia foi imediata.

A vida seguiu por algumas semanas. Em vários encontros no Diário, editores e diretor discutiam como agir o espaço da coluna social. Garimpar no meio social um nome para ocupar o espaço aberto ou buscar um desconhecido? Aventou-se tudo, como em uma reunião de pauta onde se planeja a edição diária. Em determinado momento lembrei-me da visita do rapaz alto, na metade de seus 20 ano, gestos gentis. Ilustre desconhecido por aqui seria transformado, da noite para o da, no sucessor da locomotiva social de tantos anos. Mas isso não é fácil, alertaram-me. Mas é simples, contestei. Simples nunca é sinônimo de fácil.

Consultado, Willy Damasceno aceitou de prono, feitas as ressalvas por ele consideradas devidas: “ domino o convívio social, mas não sei nada de jornalismo”, disse-nos no primeiro encontro formal na diretoria do jornal. “É tudo do que precisamos, de jornal entende a Redação e, com esforço e boa vontade, você aprende”.

Buscamos um plano para apresenta-lo a Cidade. O mais evidente seria realizar uma festa de apresentação. Descartou-se: a recepção poderia ser interpretada como um desafio a quem saia, aliás, em absoluta harmonia com todos nós. Não era o caso. Também não correríamos o risco desnecessário de estabelecer, de imediato, o maniqueísmo entre quem chega e o que se vai. Não havia esse clima.

“ Vamos comer esse mingau pela beirada” foi a frase mágica de alguém. E se idealizou a campanha publicitária- anúncios no jornal informavam: “ Ele está chegando”. Willy, em foto silhueta, entrava na Catedral de Santana; em outra subia em um avião executivo; também sobre uma moto Harley –Davidson e ainda agradecia ao motorista ao lhe abrir a porta de uma limusine. No sábado, apareci de costas entrando no prédio de O Dário de Mogi na Rua Ricardo Vilela, sob o título “ Ele chega amanhã”. E, no domingo, a página de apresentação, na qual seu perfil era apenas o complemento para o texto de fundo- uma entrevista com a família de Boris e Maria José Grinberg, ambientada na monumental mansão em estilo colonial mexicno recém-construída na Rua Santana.

A partir daquele domingo da página inicial, repetiu-se por 90 dias o que hoje me parece um noviciado: eu chegava ao jornal pela manhã para ajudar na pauta e encaminhar a edição; voltava depois do almoço e, na última mesa à direita, na Redação, ficava de um lado, Willy de outro. Ele trazia as fotos e mais fotos e os textos para a coluna do dia seguinte. Eu identificava as fotos, colocava o texto sobre a mesa, lauda em branco na máquina de escrever e lhe mostrava como deveria ser.

A cada dia os textos precisavam de alterações menores e o reconhecimento das fotos merecia desdobramentos, para a ligação entre pai e filho, neto e avô, diretor e empresa, tio e sobrinho. Até chegar março de 1976: estive três meses fora para cumprir uma bolsa de estudos. E Willy caminhou com as próprias pernas, amparado aqui e ali por colegas da Redação, como Darwin Valente, Elizete Cipolla, João Candelária, Luiz Vitta, Mirna Monteiro, Rosângela Silva e Vera Lúcia Barba”

Esse é o trecho inicial de um texto do padrinho Chico Ornellas, falando de mim, em homenagem que lhe presto em duas páginas no W Crônica de um tempo, e ao longo dos anos tenho demonstrado o quanto o considero, me referindo a ele, como o Padrinho.  Graças a ele e a minha determinação chego em 2020 me realizando como jornalista, podendo me dar ao luxo de homenagear, através do Chico, a todos os colegas pelo seu Dia. Parabéns!

Esta foto de Chico Ornellas e Nanci,  é da memorável comemoração dos meus 4 anos de colunismo social, realizada em 1979 no Club Hippopotamus, a mais badalada casa noturna da época