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Felipe Caran Vizcaino

Felipe Caran Vizcaino tem 31 anos e é diretor-executivo do grupo Casa do João, restaurante e armazém, em Bonito, Mato Grosso do Sul.

Caderno W: Quando a sua família, que é de Mogi das Cruzes, resolveu se mudar para Bonito, no Mato Grosso do Sul?

Felipe Caran Vizcaino: Em 1996. Na época, Bonito era um vilarejo pacato. Mas nos mudamos já vislumbrando o turismo como uma fonte de renda. Tive uma infância linda, em meio à natureza, bichos, plantas, ou seja, um cenário perfeito para uma criança.

Caderno W: Voltou para São Paulo apenas para estudar?

Felipe Caran Vizcaino: Sim, aos 17 anos, rumo às Águas de São Pedro [interior de São Paulo], onde estudei Turismo e Hospitalidade no Grand Hotel Senac. Eu tinha prestado alguns vestibulares, no Estado do Mato Grosso do Sul e também no Estado de São Paulo. Optei, então, ir para o Grand Hotel Senac, que, na época, era considerado um grande centro de ensino. Eu me completei com essa escolha. Foram dois anos de curso e aprendizagem contínua na área de Turismo e Hotelaria. O local é reconhecido como um centro de gastronomia.

Caderno W: Por qual motivo resolveu ir para a Europa?

Felipe Caran Vizcaino: Me formei e resolvi me aventurar pela Europa. O meu primeiro país de parada foi Portugal, onde trabalhei em alguns restaurantes. Logo após, me mudei para Londres. E me apaixonei pela cidade e por lá fiquei. Em Londres, foi lindo. Eu prendi inglês, trabalhei em alguns restaurantes e conheci vários deles também. Londres é uma cidade magnífica, tenho um amor inexplicável por aquela terra.

Caderno W: O que tanto te fascina em Londres?

Felipe Caran Vizcaino: ‘Londres always Londres’. É a terra da rainha, isso me fascina (risos). É uma cidade onde tudo funciona: metrô, ônibus, trabalho, salário…  É um lugar onde se tem de tudo e se pode ser o que quiser sem ser julgado. Fora o berço cultural mundial nos seus museus e parques. Se existisse, na minha opinião, uma palavra que resumisse Londres, seria: inexplicável!

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Em família: Felipe com o seu pai, João Vizcaino, o seu irmão, João Antônio, e a sua mãe, Davina

Caderno W: Como foi a experiência de morar fora do Brasil?

Felipe Caran Vizcaino: A Europa foi um divisor de águas na minha vida. Digo que foi a grande universidade, o que de melhor eu poderia fazer na época. Cheguei lá aos 21 anos, nunca havia conhecido nada fora do Brasil. O meu crescimento pessoal foi notório, minha visão empresarial teve um upgrade indiscutível. A força empreendedora em alguns países da Europa faz com que se aprenda cada detalhe. Na verdade, viajar é muito bom né? Alimenta a alma (risos). Eu conheci vários países, como: Suíça francesa, Portugal, Espanha e Grécia, nos quais, inclusive, também vivi por um tempo. À França, fui com a minha mãe realizar um sonho. Entre outros lugares incríveis que o velho mundo nos proporciona a visitar. Também conheci um pouco da África do Norte, oriente médio, Estados Unidos e América do Sul. Ainda não conheço a Ásia, mas esse ano já tenho planos de ir para lá.

Caderno W: E como foi retornar para o País?

Felipe Caran Vizcaino: Enquanto eu estava na Europa, os meus pais tinham aberto o Restaurante Casa do João, e, graças a Deus com muito sucesso. Em razão disso, eu fui ‘arrastado’ de volta ao Brasil para ajudar na administração do restaurante. Resolvi, então, trocar Londres por Bonito, e assim foi. Isso foi em 2010. Receber as chaves do restaurante foi um grande frio na barriga. Na verdade, eu não sabia que seria capaz, mas sempre acreditei em meu empreendedorismo. Logo percebi que não seria fácil, sabia que ia ser uma entrega, e dediquei quase três anos de muito trabalho até que eu pudesse formar uma equipe. Eu precisava ter meu time em campo. Após esse período assim com o time definido, comecei a trabalhar menos e também viajar mais.

Caderno W: Felipe, fale sobre a Casa do João: 

Felipe Caran Vizcaino: A Casa do João nasceu em 2007. Os meus pais eram sócios em um posto de gasolina, mas não deu muito certo, e eles resolveram abrir um restaurante na nossa casa, que, por sinal, tinha um quintal muito grande. Daí o nome Casa do João, haja visto que era realmente abrir a nossa casa para o público. No começo, fomos ajudados por vários amigos e parceiros para que esse sonho pudesse vir a ser realidade. E, com muito trabalho, veio o sucesso. A Casa do João começou a tomar corpo no cenário gastronômico na cidade. Eu cheguei com minha nova visão de empreendedorismo e comecei a transformar o espaço. O restaurante já tem nove anos e está sob a minha administração há cinco anos. Nesses cinco anos, implementei muita tecnologia na empresa e aumentamos o espaço físico. Passamos de oito colaboradores para 56. Também inauguramos, há pouco tempo, a nossa nova recepção com um bar lounge de espera.

Caderno W: Quais são as características do Casa do João?

Felipe Caran Vizcaino: O restaurante Casa do João é um trivial, rústico com seus móveis de madeira, com uma comida simples e saborosa. Nossos pratos são quase todos típicos da região do Pantanal Sul Mato-grossense. Nossa decoração em geral é bem rústica, mesas de madeira, toras grossas de aroeira, objetos de antiquários cheios de memórias e amor! A Casa do João é clássica e moderna ao mesmo tempo. Acabamos de construir nossa nova recepção uma obra de arte que trouxe mais luz e acolhimento para nossa casa. Na parte de alimentação, procuramos sempre buscar matéria-prima da região, prezando sempre por alimentos orgânicos. Podemos dizer que o Casa do João já é considerado uma parada obrigatória para os turistas da região. Para coroar todo esse trabalho, ganhamos o Prêmio de Melhor Restaurante do Centro-Oeste pela Revista Prazeres da Mesa.

Com a sua equipe da Casa do João
Com a equipe do Casa do João

Caderno W: O que o prêmio Prazeres da Mesa representa para a Casa do João?

Felipe Caran Vizcaino: Mais que uma grande bênção, esse prêmio vem como uma injeção de ânimo e alegria em nossas vidas. Digo, na vida de todos que fazem parte desse projeto!! Lutamos duro para conquistarmos o nosso público, fazemos com amor nosso trabalho, por isso somos gratos por esse belo presente. Ser destaque no Centro-Oeste Brasileiro é uma dádiva!

Caderno W: E como é o seu trabalho?

Felipe Caran Vizcaino: Sou responsável pela Administração, Financeiro e Recursos Humanos. Treino os funcionários e faço reuniões com eles. Temos uma equipe jovem e eficaz. Trabalhar em família é sempre um desafio, mas estou fazendo o melhor que posso em grande estilo. Hoje, o meu pai é meu maior aliado. Foram entregues as chaves da Casa do João nas minhas mãos, e, tive que fazer o meu melhor.

Caderno W: O Casa do João tem um chef que assina o cardápio? 

Felipe Caran Vizcaino: O cardápio foi um mix de vários chefs amigos meus. Mas, atualmente, temos um chef de cozinha chamado João Canto, de 32 anos, que lidera uma equipe de 18 pessoas. A última versão do cardápio foi assinada por ele, mas confesso sempre estar ao lado, dando meus ‘pitacos’, porque sou meio metido a chef (risos). O trabalho do João Canto é maravilhoso, ele é um chef dedicado e competente. A linha de trabalho dele segue o conceito do Slow Food, em que se substituem os condimentos químicos e industrializados por produção própria e alimentos orgânicos. Hoje, produzimos aqui o nosso caldo de carne, de peixe e legumes. Nosso tempero é à base de limão, sal e pimenta do reino. Tudo para garantir a qualidade final do nosso produto.

Felipe
Felipe no restaurante que administra há cinco anos

Caderno W: Qual é o prato carro-chefe da casa?

Felipe Caran Vizcaino: O nosso carro-chefe é a traíra sem espinha, um peixe saboroso, frito e que acompanha arroz, pirão e salada. Esse prato foi um presente do Valdir Stilhano, proprietário do Mirante do Paraíba, de Guararema (SP). Ele é um grande amigo da nossa família e devemos a ele muito do nosso sucesso. O Valdir foi um grande presente na hora que mais precisávamos.

Caderno W: Quem são os seus principais clientes?

Felipe Caran Vizcaino: Bonito está na lista dos destinos Top do Brasil. Estamos sendo visitados por muitos estrangeiros, principalmente bolivianos, paraguaios e argentinos. A alta do dólar nos ajudou muito, fazendo com que a crise não fosse percebida nesse ano de 2015. Digo que sou mogiano de coração e bonitense de alma.

 

Caderno W: Bebidas e sobremesas também são um complemento a mais de um cardápio. Quais são os mais típicos do Casa do João?

Felipe Caran Vizcaino: Temos uma cachaça que é típica de Bonito. Também temos alguns drinks, feitos com essa cachaça, além da famosa cerveja de mandioca. Essa bebida é feita por meio de um processo milenar, cultura indígena, e engarrafada. Vale a pena experimentar. E de sobremesa temos sorvetes de frutas do cerrado, um petit gateau de guavira, fruta típica na região de Bonito, e também uma panqueca de doce de leite caseiro, feito no fogão à lenha.

Caderno W: Qual é o período de maior movimento? 

Felipe Caran Vizcaino: Felizmente, o nosso movimento é grande o ano todo, porém, nas férias escolares, dobramos os nossos comensais, assim como feriados nacionais e no verão, onde o Sol ilumina os nossos rios, trazendo as pessoas mais pertinho de nós.

Caderno W: Você ama mesmo Bonito?

Felipe Caran Vizcaino: Eu sou apaixonado por esse paraíso. Os meus planos são de ficar por aqui e fazer com que a Casa do João vire uma referência nacional no cenário gastronômico brasileiro. Com muita fé, sigo os meus dias nesse paraíso. Agradeço a oportunidade de estar neste conceituado portal. É sempre bom dar notícias aos mogianos, e dizer, mesmo que de longo, que estou bem.