Caderno W: Onde nasceu e quando veio a Mogi? Conte um pouco sobre a sua formação na área de Direito.

Marinete Silveira Mendonça Carlucci: Nasci em Itabaiana-Sergipe e vim para Mogi das Cruzes em agosto de 1986. Sou formada em Direito pela Universidade Braz Cubas, em 1989, pós-graduada em Direito Penal, Processo Penal, Criminologia e Tribunal de Júri, Direito de Família, das Sucessões e da Diversidade e Direito Processual Civil Aplicado pela ESA – Escola Superior de Advocacia da OAB-SP.

 Caderno W: Mari, o que uma sergipana veio fazer em Mogi das Cruzes? Por que veio para a Cidade e quando?

Marinete Silveira Mendonça Carlucci: Vim para Mogi das Cruzes para cursar a Faculdade de Direito. Meu pai se formou aqui, ele tinha um orgulho imenso de ter integrado a primeira turma de Direito da Faculdade Braz Cubas.

Caderno W: Você sempre teve o sonho de ser advogada? Se não, em que momento o ato de advogar foi despertado?

Mari: Eu nasci numa família que respira o Direito. Minha mãe é Titular Cartorária do 2º Tabelionato de Notas da Cidade de Itabaiana-SE e meu pai era o titular do 1º Tabelionato De Notas e Ofício de Registro de Imóveis. Durante o colegial, morei com a minha tia Dilma e com o meu tio José Rivaldo, que na época era Juiz de Menores na cidade de Aracaju. Tinha uma admiração imensa pelo trabalho que o meu tio desenvolvia junto ao Juizado dos Menores, e foi essa admiração que me fez optar pelo Direito. Ingressei na faculdade com o sonho de ser juíza, mas no decorrer do curso, fui descobrindo e me encantando com a nobreza da advocacia. E isso se consolidou no dia em que li a obra do autor Francesco Carnelucci, intitulada “As Misérias do Direito Penal”. Esse livro me mostrou a importância do papel do advogado na concretização dos direitos e garantias fundamentais, almejando um julgamento justo e imparcial. Como ele tão bem disse: “A essência, a dificuldade, a nobreza da advocacia é esta: sentar-se sobre o último degrau da escada, ao lado do acusado, quando todos o apontam. Postar-se ao lado do forte, sob as luzes dos holofotes, é cômodo”. Isso é verdadeiramente lindo e toca a minha alma de uma forma única. Estava aqui selada a minha escolha pela advocacia.

Caderno W: O que mais a motivou a seguir na área do Direito?

Mari: A minha motivação maior sempre foi ser a voz do cidadão contra injustiças e pelos seus direitos. É muito difícil ser um operador do Direito, principalmente nos dias de hoje. Já dizia o grande mestre Sobral Pinto: “a advocacia não é profissão de covardes”. O advogado tem o dever de enfrentar os abusos de autoridade. As violações de direito. Talvez isso explique minha admiração pela advocacia.

Caderno W: Como se mantém atualizada na área?

Mari: Estou sempre fazendo cursos de atualizações, participando de congressos e pós-graduações. É fundamental o profissional estar sempre atualizado. Aliás, essa é uma política interna do escritório. Tanto os sócios, quanto os associados e colaboradores, devem sempre estar reciclando seus conhecimentos, fazendo cursos de atualização, preferencialmente todos os anos, tendo em vista a constante mudança das leis, especialmente no campo econômico e empresarial.

Caderno W: Quando e como surgiu a Massarelli & Mendonça Sociedade de Advogados?

Mari: A Massarelli & Mendonça surgiu há aproximadamente 10 anos. Eu e a doutora Denise Massarelli sempre tivemos uma visão muito semelhante sobre a advocacia e o tipo de trabalho que gostaríamos de oferecer aos nossos clientes. Aos poucos, o escritório foi se expandindo e hoje atuamos com mais intensidade em São Paulo (Capital) e Grande São Paulo, e mantemos correspondentes em Brasília e Sergipe. A nossa maior área de atuação hoje é no Direito Empresarial, mas atuamos também com Direito de Família e Sucessões e Direito Militar.

Caderno W: Fale um pouco mais sobre a atuação da Massarelli & Mendonça Sociedade de Advogados.

Mari: Além de atuar no contencioso, o escritório desenvolve um trabalho de advocacia preventiva junto às empresas clientes, auxiliando as na criação de boas práticas visando evitar danos e impactos irreversíveis para empresas que deixam de cumprir com leis e normas, muitas vezes sem saber. Por conta desse trabalho preventivo, a doutora Denise Massarelli, juntamente à equipe de advogados associados, atua mais diretamente na cidade de São Paulo, dando todo o suporte de consultoria preventiva às empresas, enquanto eu fico mais no escritório de Mogi das Cruzes, respondendo de forma mais direta pelo contencioso.

Caderno W: A internet já vinha sendo uma aliada para os profissionais do Direito, o que mudou com a pandemia? Os serviços ficaram mais ágeis, ou não houve mudança?

Mari: No começo da pandemia, confesso que tinha muitas dúvidas sobre como ficaria o acesso à Justiça com os fóruns fechados, e tinha muita resistência às opções que eram apresentadas, especialmente, quanto às audiências e sustentações orais no formato virtual. Mas, para surpresa de todos, o modelo tem funcionado bem e superado as expectativas. Os serviços, em sua maioria, ficaram mais ágeis, o que implica numa Justiça mais célere, que é o anseio de todos.

Caderno W: Como você vê o Direito no futuro? O que a motiva a seguir na área e se especializando sempre?

Mari: Acho que o Direito nunca foi tão essencial como nesses tempos difíceis e nebulosos em que estamos vivendo. Não sei em que momento isso aconteceu, mas parece que a humanidade, de repente, regrediu. Nos tornamos intolerantes ao extremo. E o direito existe para isso, para ser o freio. Para impedir que acabemos por nos destruir. E é essa visão que me motiva a seguir na área, lutando pelo respeito aos direitos de cada um e cobrando também os seus respectivos deveres. O direito tem de caminhar junto com a sociedade e suas mudanças e anseios, e as mudanças estão acontecendo numa velocidade surpreendente, por isso acho imprescindível estar sempre me atualizando e me especializando. Como disse Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

Caderno W: Como ficou a sua rotina pessoal durante a pandemia e como está agora que, aos poucos, a vida começa a dar sinal de que as coisas vão voltar ao normal, ou ao novo normal?

Mari: Minha rotina pessoal mudou completamente. Eu praticamente fiquei seis meses (de março a agosto) sem sair de casa. Agora, aos poucos, tomando as medidas de proteção, estou retomando algumas atividades, como ir à academia. Mas ainda não me sinto segura pra circular livremente, continuo evitando sair de casa, se não for por uma real necessidade.

Caderno W: O que gosta de fazer quando está de folga do trabalho?

Mari: Vai soar clichê, mas o que realmente gosto de fazer quando estou de folga do trabalho é ficar em casa, curtindo o meu marido e os meus filhos. Viajamos e passeamos muito, mas nada se compara ao prazer que é estar em casa, junto à família.

 

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