Alma Indômita foi editado pela Lopes&Acioli

Ele tomou gosto mesmo por escrever. Depois do sucesso alcançado pelo livro “O Casarão da Coronel e Suas Histórias”, lançado em 2019, Paulo Costa Jr. está entregando ao público o seu segundo trabalho literário, Alma Indômita. Desta vez, ele conta a história de um homem que se tornou andarilho por opção e filosofia de vida depois de abandonar a mulher e os quatro filhos, entre eles o autor aos quatro anos.

Para fazer esse resgate, Paulo Costa Jr. mesclou duas formas literárias atraentes: a biografia e o romance de ficção. Por meio delas ele narra – sem medo, preconceito ou vingança – a trajetória do pai, desde o nascimento até a morte em Cametá, no Pará.

A obra tem dois livros em um só volume. No primeiro, a biografia se sobrepõe, baseada nas lembranças e histórias do personagem contadas por sua mãe e parentes próximos. O segundo, mostra a vida solitária e aventurosa do protagonista apoiada em pesquisas e entrevistas, dando espaço a um romance onde se misturam amizades profundas, amores, projetos, política, descobertas.

O livro, que custa R$ 40, está à venda na Livraria Patão (antiga rodoviária de Mogi), na loja Rig (Mogi Shopping), pelo site da editora Lopes & Acioli (www.lopeseaciolieditora.com.br) e inbox nas redes sociais do autor.

Nesta entrevista Paulo Costa Jr.- empresário aposentado, prestes a completar 80 anos (1º de abril), formado em Direito pela Universidade Braz Cubas e com especialização em marketing pela Universidade de Stanford – conta como foi o processo de criação do livro, as pesquisas e o descobrimento de várias facetas do pai que ele mal conheceu, mas que passou a admirar e a entender melhor ao transformá-lo em um personagem que fará o leitor se emocionar, se revoltar, julgar e sofrer, mas nunca ficar indiferente.

Paulo Costa Jr. com seu segundo livro

Caderno W: O que o levou a escrever esse livro?

Paulo Costa Jr.: Quando terminei de escrever o primeiro livro, em que contei a luta de minha mãe para manter quatro filhos sozinha, gerenciando a pensão no casarão da rua Coronel Souza Franco, percebi que a história de meu pai, que a havia abandonado anos antes, também era interessante e merecia atenção. No livro Casarão a história foi contada do ponto de vista dela e achei importante que a mesma história fosse contada pelo olhar dele.

Paulo navegou pelo Tocantins para chegar a Cametá em busca de informações sobre o pai

CW: E o título? Como você o escolheu?

Paulo Costa Jr.: No princípio o título era uma pergunta: Uma vida desperdiçada? Eu achava que ele teve uma vida inútil porque veio de uma família de classe média, com pai juiz, irmãos advogados e acabou sozinho nos confins do Pará. Com o desenvolvimento da narrativa, vi que não foi uma vida desperdiçada, mas sim venturosa de alguém que era incapaz de se apegar a rotina, de aceitar o sistema social e uma alma rebelde, indômita.

Paulo Costa, o personagem do livro, em uma das únicas fotos que a família possui

CW: Como foi o processo de criação?

Paulo Costa Jr.: Tive como primeira fonte a minha mãe, que contava histórias dele e da família. Também teve o irmão dele, o tio Geraldo, que conviveu comigo e mantinha uma certa relação com meu pai. Então, eu sabia por onde ele andava e o que fez durante anos. Além disso, me preocupei em checar informações. Fiz pesquisas e confirmei que meu avô era um juiz, fez a São Francisco e se formou em 1881, na 50ª turma. Busquei documentos, investiguei para que a base fosse verossímil e real. Pesquisei o PRP (Partido Republicano Paulista) para o qual meu pai trabalhou, os políticos e pessoas que provavelmente trabalharam com ele. Ele escreveu quatro livros e muitas das histórias colhi neles. Fui ao Pará, onde ele viveu os últimos anos de vida e onde morreu. Entrevistei pessoas com quem ele conviveu, com quem morou e que se responsabilizaram por seu enterro.

A família Azevedo com quem Paulo Costa viveu os últimos anos de vida e que deu muitas informações para a conclusão do livro

CW: Esse processo explica a parte biográfica e a parte romanceada?

Paulo Costa Jr.: Nesta parte, os fatos são verdadeiros, as cidades por onde ele andou também, mas as circunstâncias foram romanceadas. Procurei criar personagens que permitissem contar histórias de amor, de amizades, injustiças, questões sociais que ele possa ter vivido. Eu o coloquei como um herói, que não sei se foi. Tenho uma leitora beta, alguém que comenta sobre o texto mas não interfere, só dá sua opinião, e ela me disse que eu criei moinhos de vento para o meu pai, referindo-se ao dom Quixote, de Cervantes. Concordo com isso.

O momento em que Paulito encontrou o registro da morte do pai, em Cametá

CW: Quanto tempo você levou para escrever Alma Indômita?

Paulo Costa Jr.: Na verdade, eu levei quase que a vida toda para escrever esse livro. Sempre fui um leitor voraz, desde os dez anos, e sempre imaginei que a vida de meus pais daria um belo romance.

CW: O livro é uma homenagem ao seu pai?

Paulo Costa Jr.: De maneira alguma. Eu acho que tem aí uma história muito interessante, independentemente de ser meu pai. A história é que me encantou. Alguns que me conhecem questionam se não há muito de mim nesta história. Acho que sim. Todo autor coloca em seus escritos um pouco de si. Eu agiria como ele em muitas das circunstâncias.

O registro da morte de Paulo Costa, em Cametá
O livro onde Paulito encontrou o registro da morte do pai
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