Brindando os 15 anos da Collezione com o marido, Cazarine
Brindando os 15 anos da Collezione com o marido, Cazarine

 

Não foi nada difícil chegar ao nome da Mulher do Ano 2012. Basta ser atuante, revelar atitudes que condizem com a vida moderna, bonita em atitudes, consciente do seu papel cidadã, enfim, é um conjunto de coisas que fazem da entrevistada de hoje uma mulher especial. Taurina, pé no chão, aos 43 anos, Mônica Bonano Cazarine se revela uma empresária de sucesso,mulher de beleza interior e exterior evidentes e mãe intensa, daquela que, apesar da rotina atribulada, consegue driblar os imprevistos e passar momentos agradáveis com a família, o marido Antonio Carlos Cazarine e os filhos, Rafaella, de 13 anos, e Lucca, de 9.

Mônica é daquelas pessoas que ama o que faz. Entre colares, brincos, anéis, pulseiras e bolsas – objetos de desejo de toda mulher – ela faz do bom gosto, da qualidade das peças e do atendimento impecável, os ingredientes fundamentais para o sucesso destes 15 anos de Collezione, que conta com um loja no Mogi Shopping e outra na Vila Oliveira, na elegante avenida Capitão Manoel Rudge. Está muito presente nas redes sociais, uma forma eficaz que a empresária encontrou de “falar” com suas clientes sobre moda e que já conta com mais de duas mil curtidas. Hoje em dia, divide as responsabilidades do trabalho com o marido, que gerencia o setor financeiro da empresa.

Há um ano e meio, descobriu os benefícios do exercício físico em sua rotina e o aconselha, principalmente para as mulheres acima de 40 anos. “Mudou a minha vida, é questão de saúde, me sinto mais disposta e feliz, é uma das minhas prioridades”.

 

 

Caderno W: Você é mogiana, mas a sua família é de Passa Quatro, Sul de Minas Gerais. Conte sobre a vinda dos seus pais a Mogi.

Mônica Bonano Cazarine: Eu sou a caçula de dez irmãos, somos em 8 mulheres e 2 homens e papai e mamãe vieram para cá porque lá em Minas, como morávamos em uma cidade muito pequena, as meninas não tinham como estudar. Normalmente, na época, as famílias mandavam os seus filhos para o Rio de Janeiro para fazerem a faculdade, meu pai era advogado, tinha uma carreira bem-sucedida lá, mas a família era grande, eles sempre lutaram com certa dificuldade para criar os filhos. Então, ele preferiu sair com a família de Minas em busca de melhores oportunidades para que os filhos pudessem estudar. Optou por Mogi por já tinha um tio que morava aqui. Papai também era professor e deu aulas colégio Washington Luiz e na mesma rua alugou uma casa para a família morar. Papai sempre pensou muito nos filhos, abdicou a carreira – chegou a ser prefeito de Passa Quatro -para tentar a vida em Mogi e todos os filhos se formaram na faculdade, ou ficaríamos lá em Passa Quatro com a única opção da época que fazer Magistério.

 

Caderno W: Mas você é mogiana com jeito de mineira?

Mônica: Sim. Quando minha família veio para cá, mamãe estava grávida de seis meses de mim, portanto, nasci aqui. A história da nossa família se desenrolou em Mogi, tudo o que a gente conquistou foi graças a esta cidade, criamos raízes. Meus pais foram corajosos de largar tudo e vir pra cá. Mas deu tudo certo e somos muito felizes aqui. Atualmente, somos em quatro morando ainda em Mogi, eu, a Roberta, que comanda o ateliê que fornece bijuterias para a Collezione, a Dora, dona da butique Bonani e o Josias, que é professor. Eu me formei no Magistério, no São Marcos e também sou publicitária pela Universidade de Mogi das Cruzes.

 

Caderno W: Antes de abrir a Collezione, você trilhou uma bem-sucedida carreira como produtora editorial em revistas de decoração de grande circulação. É deste trabalho que vem o seu extremo bom-gosto sempre evidente em suas lojas?

Mônica: Fiz  Magistério e durante um ano dei aulas no São Marquinhos, mas deixei esta carreira para seguir a Publicidade e Propaganda, tinha acabado de me formar. Nesta época, já fazia um pouco de bijuterias e as vendia para as minhas amigas. Também tinha feito vários trabalhos de decoração de vitrines para butiques, como a Angue, a Bonani, a Rian, entre outras. Sempre gostei muito disso, fiz diversos cursos e ganhei até prêmios em concursos de vitrines que a Associação Comercial promovia. E fotografava tudo. Um dia, meu cunhado comentou sobre mim para a mulher de um amigo dele que era diretora de redação da revista Faça Fácil. Marcamos uma entrevista, fui para São Paulo com a cara e a coragem, mostrei o meu portfólio para ela e já saí de lã com três pautas e fiquei na editora Globo sete anos. Fiz também alguns especiais de Natal para a revista Casa Cláudia e Casa e Jardim.

 

Equipe de Outo: Roberta, Mônica, Ana Cláudia e Lucelia
Equipe de Outo: Roberta, Mônica, Ana Cláudia e Lucelia

 

Caderno W: E nestes anos todo de produção para revistas você continuava com a produção de bijuterias?

Mônica: Sim, sempre mantive meu ateliê na casa de mamãe, como era muito corrido, coloquei uma funcionária para me ajudar e fui conciliando as duas coisas. Até que um dia conheci o Carlos Alberto Cazarine, namoramos três anos e estamos há 17 casados. Quando decidimos nos casar, eu estava bem na editora Globo e por conta do trabalho, visitava muitas feirinhas de artesanato aos domingos, em São Paulo e tive a ideia de montar um espaço no Mogi Shopping para os artesãos. Falei com a diretoria e o projeto deu certo. A feira de artesanato ocorria todos os domingos no corredor externo e seu tinha a minha banca de bijuterias, era um sucesso, então, trabalhava muito, acumulava a emprego na revista, fazia as bijuterias e as vendia no shopping aos domingos.

 

Caderno W: Então a feirinha foi o primeiro passo, o início da Collezione?

Mônica: Sim. Um ano e meio depois da feirinha, o Cazarine me incentivou a investir mais neste segmento de bijuterias, vislumbramos um negócio promissor ali. Então, conversei com o superintendente do Mogi Shopping na época porque queria abrir um quiosque, mas isto não era possível. Optei por um ponto pequeno, perto do antigo Supermercado Sé. Foi uma das decisões mais positivas que tomamos. Lembro-me que antes de fecharmos o negócio, conversamos com o Oscar e a Helena, que é irmã do Cazarine, donos da rede Oscar Calçados, sobre o nosso projeto da loja, afinal, eles estava há algum tempo no varejo e eles nos deram a maior força. E a Collezione começou. Já tinha este nome desde a feirinha, porque na época eu fazia curso de italiano e olhando o dicionário gostei do som desta palavra. E também porque acessório as pessoas colecionam cuidam, gostam querem ter mais cores, mais formas. Engraçado é que quando montei a primeira loja, deixei um espaço para meu ateliê, pensei que conseguiria continuar fazendo as peças, mas não deu mais tempo. Como eu a minha irmã Roberta sempre trabalhamos juntas no ateliê, a partir de então a produção das peças da Collezione ficaram sob responsabilidade dela e eu cuido exclusivamente das lojas. Claro que conversamos muito sobre tendências, vamos juntas a pelo menos três feiras anuais. É uma parceria muito boa e o estilo da loja não se descaracterizou.

 

Caderno W: A Collezione foi crescendo até ser uma marca consolidada, caiu no gosto das clientes e chegar à segunda loja. Como esta história se desenvolveu até chegar aos 15 anos de sucesso?

Mônica: Depois de três anos da primeira loja no shopping, compramos um ponto maior, na esquina da Praça de Alimentação que, alguns anos depois, ficou pequeno. Nesse meio tempo, abri a Collezione Regali, com foco na venda de presentes e peças de decoração, porque os clientes me pediam outras opções de presentes, além dos acessórios. Três anos depois, surgiu a oportunidade de comprarmos um ponto maior, que é o atual, na Praça de Eventos, e juntamos ao presentes com os acessórios e fizemos uma loja só.

 

Mônica com a mãe, Emília
Mônica com a mãe, Emília

 

Caderno W: Há quatro anos você abriu uma loja na Vila Oliveira. Como foi esta experiência?

Mônica: Começamos, eu e Cazarine, a vislumbrar a ampliação dos negócios e queríamos tentar abrir uma loja fora do shopping. Isto coincidiu com a saída dele da Valtra, onde trabalhou por 20 anos. Ele saiu da empresa e foi a grande oportunidade de ampliarmos os negócios. Abrimos, então, a Collezione da Vila Oliveira e ele assumiu toda a parte financeira. Eu adoro esta loja. O atendimento é mais personalizado; todas as sextas-feiras e sábados oferece o chá e o bolo da prosperidade com bolo para as minhas clientes, inclusive dou a receita. Hoje, o mix de produtos da Collezione é muito complexo, além dos acessórios, trabalho com prata e folheados, lenços, presentes. E, como as compras são feitas por mim, acabo ficando muito tempo no escritório, mas adoro ficar perto do meu cliente na loja e sempre reservo um tempo para fazer isto.

 

Caderno W: Os clientes percebem que, além das peças de extremo bom gosto que você tem nas lojas e das vitrines impecáveis, o atendimento é um forte diferencial. Esta é uma de suas grandes preocupações?

Mônica: Sem dúvida. A Collezione não é uma loja comum em que apenas tenho de colocar alguém atrás do balcão. Invisto muito em treinamento, porque o nosso cliente tem de ser bem atendido. Para isso, conto com a assessoria de uma profissional de Recursos Humanos, é uma psicóloga treina nossas lideranças – gerentes e futuras gerentes – e trabalha toda a parte da gentileza e bom atendimento. Isto faz a diferença do trabalho em equipe. É meu time de ouro, porque ninguém faz nada sozinho.

 

Caderno W: Você é uma empresária que não para nunca. Passados 15 anos desde a primeira loja, quais são os planos futuros para a marca?

Mônica: Estamos numa fase da empresa em que estamos sim pensando em novas diretrizes para a Collezione. Precisamos expandir, mas confesso que o meu lado mãe me faz repensar todos os dias sobre como fazer isso. A Rafaella, minha filha mais velha, está com 13 anos, entrando na adolescência, e o Lucca, o caçula, tem 9 anos, são filhos ótimos, mas como qualquer um, querem mais atenção, porque a minha rotina é muito atribulada, saio cedo de casa e volto à noite, trabalho aos sábado, aos domingos às vezes passo na loja do shopping, ou telefone, enfim. As duas lojas vão bem, mas o mercado está complicado também. Então, temos duas ideias, ou montar uma loja em outra cidade pu abrir franquias da Collezione. De qualquer forma, é preciso ainda amadurecer as ideias sob todos os pontos de vista: profissional e pessoal.

 

Viagem com a família - Rafaella, Lucca, Mônica e Cazarine
Viagem com a família – Rafaella, Lucca, Mônica e Cazarine

 

Caderno W: Fale sobre as tendências de acessórios. Como usar bem as peças da moda?

Mônica: Este ano de 2012, o maxicolar foi a grande tendência da moda e vai continuar. Até quem não usava colar se rendeu a ele. Mas o fundamental é a pessoa usar o que tem a ver com ela, porque investir em uma peça só porque ela está na moda não vai te deixar à vontade. É preciso respeitar o estilo de cada um. As pulseiras também continuam em alta, todas misturadas em termos de pedras, cores e banhos, junto com o relógio, braços cheios e os anéis com pedras grandes. Tudo com muito brilho, que, inclusive, pode ser usado durante o dia, porque a mulher atual, precisa estar bonita das 8 horas às 20 horas. Mas o que vale mesmo é que cada uma respeite o seu estilo. Se está com um vestido bordado, não use colar, invista no brinco e no bracelete; se optou por um maxicolar, use um brinco menor. Mas tem gente que mistura tudo, assume um estilo mais ousado e fica chique.