memória dentro 2205

Antonio De Salles, chefe da Neurologia do HCor – Hospital do Coração, em São Paulo, elenca uma lista com dicas que podem auxiliar na conquista da “memória de elefante” (dito antigo e popular, porque este animal costuma fixar muito bem tudo o que aprende).

Dormir mais e com qualidade

Algumas ondas cerebrais produzidas enquanto dormimos possuem papel fundamental no armazenamento da memória, ou seja, elas ajudam a transferir dados do hipocampo ao cortex pré-frontal – região do cérebro onde a memória de longo prazo é estocada. Dormir com qualidade é essencial para evitar esquecimentos.

Estresse e ansiedade

O hormônio cortisol, de acordo com a neurociência, apaga as lembranças de curto prazo. Trata-se de uma reação fisiológica do organismo em resposta ao momento de estresse: o cortisol apaga a memória recente para que nos concentremos na situação impactante vivida naquele instante. O fato explica porque passamos a noite estudando e dá branco na hora da prova.

Falta de treinamento

Imagine que nosso cérebro é um computador onde ficam arquivados os dados. O que poucos sabem é que as pessoas com boa memória costumam se lembrar melhor destes “arquivos”, pois desenvolvem caminhos certos para tanto, ou seja, fazem uma trilha de associações para que tais registros não sejam esquecidos. Por exemplo, associam um dado histórico com um país, uma cor, uma data significativa.

Uma coisa de cada vez

Tudo ao mesmo tempo é um dos lemas da sociedade atual. Não é à toa que alguns estudantes reclamam sempre, dizendo que não conseguem se lembrar de tudo. A explicação é clara: como o cérebro arquiva um dado por vez, é necessário focar-se em determinado assunto, também por vez. Na sala de aula, por exemplo, o ideal é prestar atenção no professor sem ficar ligado simultaneamente no celular, no que acontece no Facebook ou no que o amigo ao lado quer dizer.

Turbine o cérebro

Não há um limite de armazenamento de dados para o cérebro. Por isto, estar sempre aprendendo algo é importante para mantê-lo saudável. O hábito de ler, pensar, jogar, escrever, desenhar, escutar música, ou seja, todas as formas de expressão intelectual ou lúdica, deixam o órgão ativo. Todos estes hábitos devem ser mantidos, da infância ao envelhecimento, época em que as doenças neurodegenerativas costumam aparecer, como o Alzheimer (onde ocorre, inicialmente, a perda da memória de curto prazo).

Hormônios femininos 

Tanto durante a gestação como na menopausa, é comum as mulheres se queixarem de esquecimentos, lapsos de memória. E, mais uma vez, a ciência tem uma explicação: os responsáveis são os hormônios femininos. Durante a gravidez, felizmente a perda de memória é transitória – algo que já não acontece durante o envelhecimento, entre homens e mulheres.

Alimentação

O velho conselho da vovó de que comer peixe faz bem à memória também tem respaldo científico. Uma série de estudos já mostraram que uma dieta rica em ômega 3 (peixes de água salgada e fria, como salmão, sardinha, bacallhau), vitamina B (banana, carnes – miúdos, vegetais verdes folhosos, cereais e ovos) e antioxidantes (vegetais) é fundamental para a saúde do cérebro.

Exercícios físicos

Além de promover melhor oxigenação, aqueles que envolvem atenção, principalmente – apontou estudo da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos – , fazem com que seus praticantes tenham melhor desempenho cerebral.

Álcool em excesso e drogas

Ambos causam destruições orgânicas de áreas do cérebro de caráter permanente. Acidentes que danificam determinadas áreas do cérebro ou certos tipos de tumores também podem provocar perda de memória, algo temporário ou permanente, dependendo da gravidade do caso.