Gustavo Tralli, dentista
 

Há cerca de duas semanas, ele foi um dos contemplados – merecidamente – com o Troféu Itapeti, concedido pelo Caderno W a pessoas de destaque em nossa região, nos mais variados segmentos (a última foto da entrevista mostra o momento de entrega do prêmio).

Gustavo Tralli, dentista de notoriedade em âmbito regional, especialista em cirurgia buco-maxilo-facial conta, nas próximas páginas, a importância e o passo a passo de uma intervenção de tal porte, dando dicas e detalhes a futuros pacientes ou, simplesmente, a interessados de plantão. Complementando, fala um pouco de seu currículo profissional, conta suas origens e discorre a respeito de hobbies e preferências quando o assunto é lazer.

 

Gustavo Tralli recebe o Troféu Itapeti

 

Caderno W: Como foi sua infância?

Gustavo Tralli: Eu nasci em São José dos Campos e, com 5 anos, já estava morando em Mogi. Estudei a vida inteira no Colégio São Marcos, sempre cercado de excelentes professores e muitos amigos. A minha maior atividade era estar na própria escola, praticando inúmeros esportes. Me lembro, também, que frequentava diariamente o Clube de Campo.

 

Caderno W: Por que optou pela odontologia? Como foi a fase acadêmica?

Tralli: Na minha família, tenho excelentes cirurgiões dentistas que me mostraram o dia a dia da profissão. Apesar de hoje atuar numa área bem diferente da odontologia, eles sempre foram o meu exemplo. Ter definido qual especialidade seguir, mesmo antes de terminar a faculdade, fez uma enorme diferença no resultado final.

Desde formado me dediquei exclusivamente à área cirúrgica. Tenho certeza que o caminho para alcançar a excelência dos resultados em qualquer área da saúde é, antes de mais nada, amar o que se faz e dedicar-se exclusivamente à uma especialidade.

Após a graduação, realizada na UBC (Universidade Braz Cubas), fiz especialização em cirurgia buco-maxilo-facial na ABENO (Associação Brasileira de Ensino Nacional Odontológico), e mestrado em ciências da reabilitação na UNINOVE.

 

Caderno W: Você é cirurgião buco-maxilo-facial… Fale a respeito. 

Tralli: A cirurgia buco-maxilo-facial é uma área específica da odontologia que atua em toda a face. Atualmente apresenta duas linhas distintas, a traumatologia (para pacientes que sofreram algum tipo de trauma na face) e a cirurgia ortognática, que compreende a cirurgia da ATM.

A cirurgia ortognática é mais complexa e detalhista, cuidando dos pacientes que apresentam excesso ou falta de mandíbula e/ou maxila; sorriso gengival; assimetria facial ou ATM.

 

Caderno W: O rosto é nosso cartão de visitas, certo?

Tralli: Que o rosto é nosso grande cartão de visitas e a parte do corpo que todos olham primeiramente, ninguém pode negar. Por isto, a estética facial – de alguns anos para cá – vem sendo muito valorizada. Porém, a cirurgia ortognática está longe de ser uma questão única e exclusivamente estética, pois alterações como o prognatismo (queixo para frente), o retrognatismo (queixo para trás) e o excesso vertical maxilar (sorriso gengival) são deformidades do rosto que fogem ao conceito de beleza e entram em um quesito bem mais sério: o da saúde.

 

Caderno W: Trata-se de um tipo de cirurgia que possa ser realizada através de convênio médico-hospitalar?

Tralli: Como já dito, não trata-se de uma procedimento estético e, sim, de cura de uma doença, que faz parte do CID (Código Internacional de Doenças) da OMS (Organização Mundial de Saúde) e, portanto, é um procedimento cirúrgico que pode ser realizado através de convênios e planos de saúde.

 

Gustavo com a namorada Paula Barros

 

Caderno W: Podemos dizer, então, que a cirurgia buco-maxilo-facial, melhora significativamente a qualidade de vida e a autoestima das pessoas? Por quê? E a parte funcional do organismo, como vem a ser auxiliada, especificamente?

Tralli: A cirurgia ortognática é considerada uma cirurgia funcional. As alterações ósseas da face, mais do que desestabilizar a autoestima e, muitas vezes, fazer até com que a pessoa nem queira sair de casa; geram problemas funcionais, como dores de cabeça, alterações no sono, interferências na mastigação, deglutição, digestão, fala e na postura corporal.

Tal intervenção cirúrgica é uma técnica totalmente individualizada que corrige a oclusão (mordida), a função das articulações temporomandibulares (articulação mandibular), a respiração e a postura corporal; além dos resultados proporcionarem uma imagem totalmente diferente da que se via anteriormente.

É um procedimento que recoloca os maxilares em sua posição ideal em relação ao crânio, proporcionando uma estética facial harmônica.

E traz ao paciente uma significativa melhora da qualidade de vida elevando – e muito – sua autoestima e consequente o convívio social.

 

Caderno W: Qual é o primeiro passo para este tipo de tratamento? Quem deve procurá-lo? Por quê?

Tralli: Muitas vezes, o paciente vai até o ortodontista com a intenção de resolver o problema de mordida; mas de vez em quando é impossível corrigi-la (a mordida) sem uma movimentação óssea. E é ai que entra o papel do cirurgião, que fará uma análise das estruturas ósseas e viabilizará o procedimento afim.

A cirurgia ortognática é destinada a corrigir as discrepâncias esqueléticas da face, ou seja, tratar os problemas de má oclusão, o que seria impossível ou inadequado fazer “apenas” com aparelhos ortodônticos, vez que o problema está no tamanho e na posição dos ossos do esqueleto e não somente na dos dentes. Assim, ela é um tratamento indicado para pessoas adultas que possuem deformidades envolvendo os ossos da face e os dentes, visando a restabelecer o equilíbrio anatômico da mesma (face). Para seu sucesso, deverá ser realizado em conjunto com o ortodontista.

 

Caderno W: Há idade mínima para recorrer a este tratamento? E a preparação para a cirurgia, como é?

Tralli: A cirurgia ortognática não funciona sem tratamento ortodôntico, conforme disse na questão anterior. Então, quanto antes o paciente se submeter ao tratamento, melhor; haja vista que, para a realização da operação, são necessárias algumas movimentações específicas. Em geral, as mulheres podem se submeter à cirurgia após os 15 anos de idade, e os homens depois dos 17.

 

Caderno W: Como se dá a recuperação dos pacientes, após uma intervenção assim?

Tralli: Hoje, além de os resultados funcionais e estéticos serem muito mais significativos, o paciente tem, normalmente, uma recuperação muito mais rápida e segura, recebendo alta hospitalar muitas vezes até no mesmo dia da cirurgia e voltando às suas atividades normais, em até 15 dias.

 

Caderno W: Onde, tanto, você atua profissionalmente, hoje em dia?

Tralli: Após um período de, aproximadamente, dez anos, atuando exclusivamente em São Paulo junto à equipe do dr. Pitta, eu trouxe esta técnica para a região do Alto Tietê e, ao longo dos últimos anos, tenho observado um significativo aumento na demanda de pacientes que a buscam; o que faz com que 60% do meu tempo seja destinado exclusivamente a cirurgias com pacientes da região. No mais, atuo em outros hospitais e consultórios de São Paulo, e também como diretor geral da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas) daqui de Mogi das Cruzes. O aumento na demanda pela procura deste tratamento é fato e, por acreditar em tal tendência, já me preparo para absorver esta nova contingência sem, contudo, deixar de atuar em São Paulo.

 

Caderno W: Neste último semestre você foi o cirurgião responsável pela realização da primeira artroscopia de ATM por vídeo, certo? Nos explique como é este tipo de cirurgia, por favor.

Tralli: A artroplastia da ATM por vídeo é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo (com acesso de apenas 1,8 mm), realizado em ambiente hospitalar, com duração de aproximadamente 40 minutos. Ele é feito para modificar a estrutura, retirar as aderências ou reanatomizar a articulação temporomandibular. E a recuperação é bastante rápida, de cerca de três dias.

 

 

Com o sobrinho, Miguel

 

Caderno W: E a docência, que lugar ocupa na sua carreira?

Tralli: Após alguns anos lecionando no curso de graduação em odontologia, hoje faço parte do corpo docente em cursos de pós-graduação em instituições de ensino em Mogi das Cruzes , São José dos Campos, São Caetano e São Paulo.

 

Caderno W: Em 2007, vimos que você acompanhou Larry Wolford, referência mundial na área de cirurgia ortognática, na Baylor University Medical Center, em Dallas. O que isto significa para a carreira de um cirurgião dentista?

Tralli: Esta foi a experiência mais importante da minha carreira: conhecer e acompanhar aquele que foi o criador das mais inovadoras e eficientes técnicas utilizadas, hoje em dia, na cirurgia ortognática. É uma formação única, pois não existe em qualquer outro país um profissional no mesmo nível.

 

Caderno W: E compor a equipe de um dos precursores desta área no Brasil, o cirurgião Marcos Pitta (já citado em outra questão), responsável por trazer para o País os avanços técnicos da operação?

Tralli: Participar por tanto tempo da equipe de um profissional como ele é extremamente enriquecedor, devido à diversidade dos casos clínicos onde atuei, fato que me proporcionou ampla experiência nesta área tão complexa e específica.

 

Caderno W: Em meio a tudo isto, há tempo para o lazer e para os hobbies?

Tralli: Sim! Primeiramente, priorizo o tempo com minha namorada e o convívio familiar, pois minha família é meu grande alicerce, responsável pela formação de meus valores éticos, morais e religiosos; que não só proporcionaram o meu desenvolvimento como profissional, mas principalmente como homem e cidadão. Pratico esportes diariamente, e neste último ano consegui administrar minha rotina de uma forma que tem me proporcionado outro grande prazer, que é viajar e curtir a convivência com os amigos.

Ah… E, claro, não abro mão de curtir bons restaurantes,  já que a gastronomia é outro grande prazer em minha vida! (texto: Guilherme Otani)