Ontem, sábado, pela manhã, fui ao  Cristo Redentor me despedir de Conceição Zendron e externar os meus sentimentos aos seus filhos Eliana e Jairinho, e família. Ela partiu para a outra dimensão, a espiritual. Viveu 88 anos neste plano e foi muito amada, sou testemunha.
Em outubro de 2010 passei por um momento igual e sei o quanto é dolorido ver a mamãe partir. Só mesmo o tempo irá amainar a dor da partida e transformá-la em uma gostosa saudade.

Ao longo da vida, muitas vezes ficamos de coração partido. A perda de um ente querido,   a diminuição da saúde, problemas econômicos. Mesmo o fato de se tentar uma meta e falharmos, não importando a razão, gera normalmente um coração partido.

Tudo muda; de fato, sabe-se que as mudanças são uma constante na nossa vida. E se não soubermos lidar com as mudanças,  podemos ficar de coração partido. Relacionamentos acabam. Pessoas amadas morrem. Ficamos mais velhos. Algumas das metas mais desejadas não são atingidas. Como lidamos com a dor da perda que pode nos atingir?

Quando uma semente cai na escuridão da terra, a casca externa desta semente deve se romper para que nasça uma nova vida. Jesus disse: “ Se uma semente de trigo não cair e morrer, ela permanecerá apenas uma semente…Mas se ela morrer, irá produzir muita sementes”. Quando as nossas cascas se rompem dolorosamente, quando os nossos corações se partem, é importante aprender a lição que Jesus nos ensinou: quando perdemos alguma coisa, de alguma forma sempre ganhamos algo ao mesmo tempo.

Podemos ver e entender que a vida oferece experiências inexplicáveis que nem sempre são racionais. Este entendimento é um dom interno precioso. Muitas vezes pensamos que, se fizermos tudo “direito” estaremos livres da dor. Mas a vida é mais complicada e misteriosa do que isto.

Existe uma recompensa bem no meio da perda. A dor que sentimos é a concha do nosso entendimento, da nossa sabedoria, da nossa maturidade e compaixão, trazendo para nós o presente de uma nova vida.

Este entendimento não é uma droga para contornar ou negar a dor, e sim um modo de nos abrirmos ao mistério da dor, àquilo que ele tem a oferecer e àquilo que ele leva embora.  Na próxima vez em que  sentir essa casca se rompendo, sinta-o de forma total e profunda e conforte-se sabendo que viver e conviver com a dor e através dela nos ajuda a ficarmos mais compreensivo e compassivo em relação aos outros e a si próprio. A adversidade pode ser um dom rico e educativo. Ela pode ser um marco no nosso crescimento espiritual. E assim evoluímos com mais consciência.