Acordo nesta quinta, que não amanhece ensolarada como ontem, pensando na vida, o quanto ela é cheia de altos e baixos, as notícias que recebo, muitas ótimas, e, felizmente, poucas ruins, se assim podemos chama-las. O meu papel de colunista social é registrar a vida em sociedade, as festas, as conquistas, as alegrias, e de vez em quando tenho que noticiar a tristeza maior, a partida dos amigos. Como foi o caso de Heleninha Cury, que era querida em sociedade e pelo público que frequentou durante anos a Casa São João. Uma mulher querida.  A notícia de seu falecimento, no Insta e Face, repercutiu, comprovando o quanto era amada.

A vida continua, e eu, aos 69 anos, decidido a evoluir como ser humano e como profissional, me afinando sutilmente à nova realidade, a digital,   respaldado em muitos e muitos anos de experiência, consolidando um trabalho personalizado, que irradia estilo. Colhendo frutos, do bom plantio feito ao longo dos anos, entre eles, a credibilidade.

Morando na Shalom, no meio do mato, percebo que tudo ocorre em ciclos. Na natureza, todos os começos tem um fim, e todos os fins prenunciam um novo começo. Quando termina o dia, começa a noite, seguida por um novo dia, seguido novamente pela noite. Quando termina o inverno, começa a primavera. Estamos vivendo esse momento. E assim por diante. Todos os finais são seguidos por um começo: a vida surgida da morte.

Em minha meditação matinal constato que nossas vidas também estão sujeitas a ciclos e estações. Todos experimentamos, eu que o diga…rs…,um fluxo interminável de começos e fins. Escrevendo o meu livro de memórias constato o quando mudei, melhor, continuo mudando. Todas as estações de nossas vidas têm começos e fins, que levam a novos começos.

Como gostamos dos começos- temos o costume de celebrar o novo – geralmente resistimos aos finais e tentamos adiá-los. Muitas vezes deixamos de sentir a alegria dos começos porque sabemos que todos os começos escondem as sementes de algum fim. Talvez alguns finais possam ser dolorosos, mas essas dores diminuem se não resistimos e consideramos o tempo como um processo natural: como os brotos que surgem na primavera e se desenvolvem em folhas verdes no verão, amadurecendo e tornando-se vermelhas e douradas no outono, e desfolhando no inverno. Compreender que somos parte integrante do grande esquema da natureza é um grande consolo.

Muito de nossa resistência aos finais é proveniente de nosso desconhecimento sobre os novos começos e de nossa incapacidade de estar plenamente sintonizados com a natureza. Que não é o meu caso, é claro…rs…Quanto mais nos permitirmos confiar no fato de que todos fins trazem um novo ciclo, diminui a nossa resistência ao velho. Quanto menos resistência, menor dor experimentamos na jornada que precisamos percorrer, através dos muitos ciclos de nossas vidas.

Gosto da história da taturana. Imagine ser uma taturana, sentindo um estranho desejo de tecer um casulo ao redor do corpo – morte certa! Como deve ser difícil desistir da única vida que se conhece, essa vida de rastejar na terra, em busca de alimento. No entanto, o final dessa vida de verme confinado à terra significará o inicio de uma outra vida, sob a forma de uma linda criatura alada.

O poderoso potencial das transformações se baseia na possibilidade inerente a cada novo começo, de trazer alegria e liberdade em proporções nunca imaginadas. Se isso verdadeiramente ocorre ou não – se continuamos ou não a evoluir através dos ciclos de nossas vida – depende em grande parte, de nós. O papel que desempenhamos nos acontecimentos depende de como encaramos nossas mudanças,  começos e fins.

Podemos considerar todos os fins como tragédias – lamentando-os e resistindo a eles – ou podemos considerar cada fim como um novo começo e uma abertura para maiores oportunidades. O que para a taturana é a tragédia  da morte, para a borboleta é o milagre do nascimento. Concluindo: todo final é um novo começo.