Acho que todo mundo, de um modo geral, sempre está ou esteve a procura de um mestre. Quando jovem, mais ainda. Alguém que pode nos ensinar o que mais precisamos no momento. Com o passar do tempo, digo isso por experiência própria, é mais fácil do que imaginamos. Só é preciso olhar em torno de si. Os mestres estão em todo o lugar. A vida é feita para nos ensinar exatamente o que precisamos. Percebamos ou não, existe uma sabedoria interior que é capaz de nos mostrar quem são os mestres e o que podem nos ensinar.

Para encontrar esses mestres, basta olhar para os que estão mais próximos, a família, os amigos e os colaboradores. As pessoas com as quais passamos a maior parte do tempo são as que podem contar a respeito de nós mesmos. Como? Muitas vezes o que vemos, é de algum modo, o reflexo de algo interior a nós próprios.  O que admiramos nos outros pode ser uma qualidade que possuímos e que não conseguimos reconhecer.

Ao contrário, o que mais detestamos em alguém, também pode ser o reflexo de alguma característica nossa que ainda não tínhamos percebido que existia. Isto é verdadeiro, especialmente quando desenvolvemos  sentimentos muito fortes por alguém, sejam eles positivos ou negativos. Os outros podem ser nossos mestres, não necessariamente pelo que sabem ou fazem e, sim, pela forma como reagimos a eles. Em outras palavras, podemos usá-los como espelho para aprender a respeito de nós próprios.

O modo pelo qual as pessoas reagem a nós, pode também auxiliar em nosso autoconhecimento. Isto não quer dizer que somos “maus” se não formos populares e, “bons”, se muita gente gostar de nós. Os outros podem escolher como responder ao nosso modo de ser; mas, mesmo assim, podemos usar as sua reações para aprender algo a nosso respeito. Isto é verdadeiro, especialmente quando as pessoas nos tratam de um modo singular.

Outra maneira de aprender com os outros, é observar  as características daqueles com quem nos associamos. E não é uma questão de bom ou mau e, sim o reconhecimento de que há algo em nós que atrai as pessoas, e faz com que sejamos atraídos por elas.

O que também colabora, é ver as atividades que nos interessa a maior parte do tempo. O que os interesses dizem a nosso respeito? E é bom examinar-se em outras áreas: como empregamos o nosso tempo de lazer? Em que gastamos o nosso dinheiro? Quais os pensamentos que mais ocupam a nossa mente? Que tipo de sentimento cultivamos com frequência?

Tudo isso-  tudo na vida, ao nosso redor e dentro da gente- pode nos ensinar muito. A verdade é que aprendemos por nós próprios e, conforme, vamos  experimentando a vida e o mundo ao redor como um “livro de ensino” e uma “ sala de aula”, nos tornamos o nosso maior mestre.