Em algum momento da vida enfrentamos coisas dolorosas ou injustas, que parecem fazer parte da vivencia humana. Como lidar com elas? Eis o ponto crucial, que influencia nossa felicidade e nosso bem estar físico, mental e emocional.

Mesmo enfrentando mágoas e injustiças, alguns conseguem superá-las, mantendo a integridade. Outros tem fixação nos problemas e sofrem muito. Geralmente acham insuperáveis, sem perceber que depende deles a resolução. Ou acham que manter a tristeza é uma espécie de força, como se estivessem dizendo “ Não podem fazer isso comigo e esquecer tudo como se nada tivesse ocorrido”.

A fixação nos problemas, frequentemente, destrói a paz de espírito, interfere na clareza mental e nas intuições e diminui a energia, a resistência e a força, físicas. Culpa, ressentimento e autopiedade não são emoções saudáveis e nem confortáveis para se carregar. Como os ácidos, elas azedam e corroem a fisiologia humana. Está comprovado que muitas doenças físicas estão associadas a uma atitude implacável, porque a desarmonia mental naturalmente cria a desarmonia física.

Nossa capacidade de perdoar depende da gravidade da ofensa…rs…Digamos que um amigo pega uma camisa emprestada e a perca, ou que alguém lhe diga algo desagradável, ou que o amigo que combinou sair com você desmarque o compromisso para sair com outra pessoa, ou que alguém magoe você  mental ou fisicamente, ou que algum acidente ou ato agressivo lhe cause ferimentos ou tire a vida de uma pessoa amada. A gama de mágoas que influencia a quantidade de tempo e de esforço necessários para perdoar  é muito grande. Mas, mesmo quando parece impossível perdoar algo, a pessoa que não tenta fazê-lo estará causando a si mesma, por ter tomado a decisão de manter a tristeza, vamos e venhamos, um sofrimento ainda maior do que aquele causado pela outra pessoa. Será como se essa pessoa dissesse: “ Não quero me sentir melhor. Não quero ter paz de espírito. Não quero ser feliz “

Essa pessoa colocou sua capacidade de ser feliz nas mãos de outrem. Continuar magoado é igual a tomar a decisão de sofrer, seja a mágoa pequena ou grande. As leis da vida não mudam de acordo com as circunstâncias: seus efeitos são consistentes.

A boa vontade em deixar que a raiva se vá é um inicio importante, mas o perdão vai muito além de esfriar emoções: significa anular todas as culpas, inclusive a sensação de culpa da própria pessoa. Quando realmente perdoa  alguém, você libera todas as dívidas dessa pessoa pelo erro cometido; libera o próprio erro. Não existe mais a questão de receber compensação da pessoa que cometeu o erro. Para você, ela estará livre desse dever. Você a liberta para que viva sob as suas melhores capacidades.

Dentro das pessoas existe uma balança que nos ajuda a procurar e a medir um percurso. O perdão as libera e permite que encontrem esse equilíbrio. Pode ser logo, pode ser mais tarde. Você poderá presenciar ou não. Provar que compreenderam o que fizeram não faz a menor diferença e nem é necessário. Nenhum de nós tem sabedoria suficiente para julgar o outro.

Sem estar no lugar do outro e sem estar vendo o mundo pelos olhos dessa pessoa, é impossível julgá-la com precisão. Mas existe algo muito relevante que está ao seu alcance. Deixar a tristeza ir embora é uma decisão de lidar com os sentimentos de maneira saudável e responsável, seguindo em frente. É uma decisão que está do lado da cura, da liberdade e da paz de espirito.