O continente da Austrália nos legou muitas coisas estranhas. Isolado há milhões de anos do resto do mundo por um vasto oceano, até a sua vida animal desenvolveu formas estranhas. Como o canguru e o ornitorrinco, um animal peludo com bico de ganso, que bota ovos e se alimenta de minhocas.

Seus povos nativos têm costumes e invenções próprias e peculiares. Destas, o mais famoso, sem dúvida, é o bumerangue. É um “pedaço de pau que vai e volta”. Quando é atirado por alguém que tenha prática, o bumerangue, que é apresentado em vários formatos, pode percorrer grandes distâncias e retornar para a mão de quem o atirou. Alguns australianos são tão experientes no manuseio do bumerangue, que conseguem caçar pássaros para se alimentar. E ele volta sempre para as mãos de quem o atirou.

Creio que a nossa conduta, a nossa forma de agir, é semelhante ao bumerangue.  Vai e volta. Porque a delicadeza tem uma forma de retornar aos que são delicados. E, vice e versa.  É a Lei da causa e efeito. Tudo o que fazemos retorna, direta ou indiretamente.

Gosto muito  da fábula do leão e do camundongo. “Um dia, um leão faminto pegou um ratinho que lhe implorou  pela sua vida, dizendo,  “ Sou tão pequeno para a sua fome, Oh grande leão, e além disto, talvez, um dia, eu possa lhe fazer um favor”. O leão caiu na risada e soltou o camundongo.

Algum tempo depois, o leão caiu preso em uma rede. E quem você imagina que roeu as cordas da rede e salvou o leão? O camundongo, lógico. Geralmente ficamos relutantes e até medrosos de sermos gentis. Para muitos, os heróis do cinema e televisão são o modelos de comportamento. E como muitos tem um comportamento nem um pouco elogiável pensam que devem ser como estas “ estrelas”.

Os verdadeiramente grandes e destemidos são os mais gentis. Tenho constatado isso no convívio com as pessoas ao longo de quase 44 anos. E são compensados com as coisas boas que lhes ocorrem. São premiados com a gentileza dos outros. São sempre lembrados em inúmeras oportunidades.

Observo os grandes líderes do mundo, do passado ou do presente, e sempre lembro em primeiro lugar, daqueles que agiram para o bem de todos, que foram delicados com os outros. A delicadeza, como um bumerangue, retorna para aqueles que são delicados. Talvez leve anos. Talvez a delicadeza volte de uma direção diferente do que aquela para onde lançamos a nossa. Mas  irá retornar. Nunca estará perdida.