Luiz Antonio Bós Vidal

Postado em 12 de outubro de 2017

Formado em Jornalismo, o mogiano Luiz Antonio Bós Vidal, de 31 anos, se dedica à gastronomia e faz sucesso como chef de cozinha. Confira a entrevista especial para o Caderno W, onde ele se declara apaixonado pela culinária simples: 
Caderno W: No ginásio e colegial, onde estudou? Que lembranças guarda dessas fases?
Luiz Antonio Bós Vidal: Estudei em vários colégios, nunca fui um garoto de ficar prestando atenção às aulas. Eu vivia ‘viajando’ nas minhas ideias e planos para viajar o mundo e conhecer culturas diferentes. Sempre fiz muitos amigos por onde passei, gosto de levar alegria às pessoas, brincar, sorrir, tirar sarro… Eu era da galera do fundão. Os meus pais viviam sendo chamados no colégio pelo meu comportamento desatento, sempre respeitei muitos as pessoas e meus professores, mas, literalmente, vivia no mundo da Lua. Lembro que muitas vezes eu falsificava a assinatura dos meus pais para que eles não soubessem que eu havia deixado de fazer lição de casa. Mas um dia ‘a casa caiu’, e, quando eles chegaram no colégio, havia umas 20 ocorrências que eles não faziam nem ideia que eu havia levado… Foram bons tempos, hoje me divirto lembrando das minhas ‘travessuras’ (risos).
Caderno W: Qual é a sua formação acadêmica?
Luiz Antonio: Sou formado em Jornalismo, mas a minha primeira faculdade foi Hotelaria. Só depois de 4 anos formado, resolvi estudar Gastronomia no Senac. Já fui fotógrafo e também sou socorrista e brigadista civil, formado pelo Corpo de Bombeiros de Mogi das Cruzes.
Caderno W: Tornar-se chef era um sonho? Como ingressou nessa área?
Luiz Antonio: Eu nunca havia pensado em me tornar chef de cozinha. Na realidade, até meus 22 anos eu odiava entrar em uma cozinha, mas sempre gostei de comer. O meu primeiro contato com a cozinha foi quando eu estudava hotelaria e tinha um amigo que trabalhava em um restaurante francês, passávamos várias tardes juntos. Aos poucos, fui me interessando e ficando cada vez mais encantado com os sabores e temperos. Eu era produtor de eventos e ‘trabalhava’ na empresa da família. Aos 27 anos decidi que queria estudar Gastronomia, minha irmã sempre me falava que eu levava jeito e resolvi arriscar, prestei vestibular no Senac, era uma quinta feira, na sexta saiu o resultado e no sábado eu já estava morando em Águas de São Pedro, na região de Piracicaba (SP), mas eu não fazia a mínima ideia do que eu enfrentaria nessa nova fase de minha vida
Caderno W: Fale sobre as suas experiências nas cozinhas pelas quais já passou.
Luiz Antonio: Seis meses após o início da minha faculdade, pedi ao Felipe Caran (proprietário do restaurante Casa do João, em Bonito, no Mato Grosso do Sul), que me deixasse ir para lá fazer estágio na cozinha do endereço. Neste meu primeiro contato com uma cozinha profissional, eu cortava cebolas, descascava batatas, cozinhava arroz e preparava as saladas. Era uma loucura! Passavam de 800 a 1.000 pessoas por dia no restaurante. Isto, literalmente, fazia meus olhos brilharem. Eu ficava totalmente exausto, mas com uma felicidade enorme em saber que estava apaixonado pelo corte no dedo que eu fazia, por exemplo. Passei um mês em Bonito, aprendi o que realmente é um restaurante de verdade. Voltei para a faculdade, mas aquele ambiente calmo, sem muita pressão, começou a me deixar entediado. Estudei mais dois meses e resolvi voltar para São Paulo, onde fui recebido no restaurante Seu Chalita, um restaurante árabe, do meu amigo João. O local era pequeno, mas com sabores que eu não conhecia, no meio do bairro do Itaim. Em poucas semanas assumi a cozinha, mas eu não estava preparado para lidar com esse cargo de liderança que é ser chef, aquilo me desestabilizou um pouco, fiquei três meses e me mudei para o Guarujá, no litoral sul de São Paulo, onde fui contratado como Sous Chef de restaurante do Parrila San Lourenço, na Riviera de São Lourenço, e seis meses depois decidi que precisava fazer mais um curso e me aprimorar na área, adquirir mais experiência. Voltei para Mogi das Cruzes e fui fazer um curso de sabores de boteco no Centro de Aprendizado Gastronômico (Cenag), do chef Roque Thomazini.
Caderno W: Como foi o aprendizado no Cenag?
Luiz Vidal: Ao término do curso, fui convidado para dar aulas de culinária árabe e, aos poucos, fui conquistando meu espaço e ministrando outros cursos como Introdução à Gastronomia, Molhos e Massas. No Cenag, eu tinha contado com tudo que um cozinheiro sonha, equipamentos, ingredientes, técnicas e livre acesso para testar receitas o dia todo, fui ensinando os alunos e aprendendo com o chef Roque, ministrei aulas lá por um ano e meio e decidi que agora era hora de colocar tudo em prática. Comecei a prestar assessoria e consultoria e fazer viagens para conhecer sabores e culturas diferentes, cada lugar que eu ia era uma descoberta nova
Caderno W: O que anda fazendo no momento? Onde está trabalhando?
Luiz Vidal: Hoje sou chef e consultor de Gastronomia, dou aulas de técnicas de cortes para açougue em um curso livre do Senac, tenho duas cozinhas sobre minha coordenação em Bonito, no Mato Grosso do Sul (a cozinha do Parque das Cachoeiras e da Praia da Figueira) e continuo sendo um eterno pesquisador da gastronomia e sua cultura.
Caderno W: Quem o inspira na profissão? Tem algum chef que você admira?
Luiz Vidal: É engraçado falar disso. A minha inspiração vem de lembranças simples, como a comida da minha mãe, os sabores da casa das minhas avós, de gostos que vêm a todo momento na minha cabeça e eu tento reproduzir da forma como imagino. Sou grande apreciador do chef Francis Mallman, um chef que descobriu o prazer de cozinhar ao ar livre, utilizando lenha e fogueiras no chão, cada vez mais eu migro para esse mesmo caminho.
Caderno W: O que mais você gosta na gastronomia?
Luiz Vidal: Tudo na gastronomia me encanta, mas o que mais me atrai são os ingredientes frescos, as cores, sabores e a liberdade que a cozinha me dá para criar tudo que eu imaginar. Eu tenho uma tendência voltada para a cozinha mediterrânea, ela é simples e ao mesmo tempo complexa, por sua riqueza de ingredientes que requer muita atenção na hora do preparo, para que não perca suas características originais.
Caderno W: Como se mantém atualizado?
Luiz Vidal: Sou um amante dos livros, não posso ver um que não tenho e já compro, além de que sempre frequento feiras gastronômicas para saber o que os chefes e cozinheiros estão fazendo.
Caderno W: Você tem um estilo na cozinha? 
Luiz Vidal: Meu estilo de cozinha é simples, confort food, aquela cozinha que te traz lembranças, cheia de aromas, peixes, frutos do mar, ervas. Para mim, os ingredientes tem de se sobrepor a quem o está cozinhando, tratá-los com respeito, carinho, como se cada cozinha que eu colocasse na panela fosse um filho, a cozinha merece amor, merece respeito, estamos cozinhando sonhos e desejos dos clientes.
Caderno W: Já trabalhou fora do Brasil?
Luiz Vidal: Nunca, mas tenho enorme vontade de cozinhar ao ar livre na beira do mar Mediterrâneo, com aqueles ingredientes frescos, peixes quase vivos e hortaliças recém tiradas da terra.
Caderno W: Qual é o seu prato favorito?
Luiz Vidal: Eu amo uma boa paella (feita pela minha mãe) e os camarões gigantes que meu pai prepara na chapa.

Caderno W: O que não pode faltar na sua cozinha?
Luiz Vidal: Na minha cozinha nunca faltam as pimentas frescas e uma boa música de fundo para me inspirar na hora das minhas criações.

Caderno W: ​Se você pudesse fazer um jantar para alguém que você admira, quem seria e qual seria o cardápio?
Luiz Vidal: Se eu pudesse, eu voltaria no tempo só para fazer uma canja de galinha para o meu avô Nenê (Antônio Bós Vidal Filho). Com ele aprendi o valor das coisas simples. No nosso último contato, antes da partida dele, eu prometi que lhe daria muito orgulho, aliás, não só a ele, mas como a toda a família. ‘Aqui estou eu vô, seu neto se tornou um homem  e assim como o senhor fez, onde quer que esteja, estou fazendo com todo amor que tenho no meu coração. Te amo!

Caderno W: Quais são os seus projetos?
Luiz Vidal: O meu sonho é abrir um restaurante simples, com ingredientes frescos, uma comida para amar cada garfada, um local onde os clientes possam comer com a mão, sentir o real sabor do alimento e sair após a refeição com o mesmo brilho que vejo nos meus olhos, quando estou cozinhando.

Caderno W: Deixe uma mensagem para quem deseja ingressar nessa área:
Luiz Vidal: A gastronomia é uma atividade que exige muita dedicação, suor, tempo, temos que amar o alimento da mesma forma que amamos nossos pais, irmãos, familiares, temos que amar a cozinha como amamos nossas vidas. Prepare-se para passar mais tempo com a barriga no fogão do que nos lugares onde as pessoas costumam ir, mas vale à pena.

 

Caderno W: Se tiver algo a mais para expor, fique à vontade.
Luiz Vidal: Agradeço a todos que me acompanham, me incentivam e acreditam no meu trabalho. Amo o que faço e farei sempre com o maior respeito do mundo. A gastronomia mudou a minha vida, ela é capaz de te transformar em um realizador de sonhos por meio dos sabores. Obrigado pelo espaço Willy e todos os amantes da gastronomia.

 

Contatos de Luiz Vidal:
Instagram: @luizbosvidalchef
Facebook: Casa do Chef
Telefone: (11) 9 9021-6649
E-mail: luizvidalgastronomia@gmail.com

 

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