O mogiano José Roberto Tadeu Maiolo Filho ou, simplesmente, Roberto Maiolo, como é conhecido profissionalmente, é o entrevistado desta semana do portal Caderno W. Conheça um pouco mais sobre a história deste ‘muso inspirador’, apaixonado pela dança, e, se for de salto alto, tudo ficará bem melhor. Confira a história dele, referência quando o assunto é Stiletto Dance.  

 

Caderno W: Qual é a sua formação? 

Roberto Maiolo: Eu sou formado em Comunicação Social. Sou jornalista com especialização em Estratégias de Comunicação. Também sou ator com pós-graduação em Cênicas (CORPO). Desde sempre dancei. E fiz muita coisa no mercado da dança. De eventos à oficinas e workshops. Inclusive tive a alegria de somar ao time de profissionais que dava as aulas nas oficinas de inverno e verão na época do Denerjânio Tavares de Lyra, à frente do Departamento de Cultura de Mogi das Cruzes. Saudade daquele tempo. Fiz muitos cursos de dança e das mais diversas modalidades. Recentemente, estive no Congresso Brasileiro de Heels Dance, outro nome também dado à modalidade Stiletto. Do inglês, Hells é Salto. E estive na presença dos maiores profissionais de Dança dos últimos tempos. Em especial da Arielle Macedo, a musa inspiração coreógrafa de Anitta. Dentro desse universo, eu busco uma identidade muito minha. Creio que temos de colocar a nossa personalidade, a nossa alma, no que fazemos. Por isso sou o coreógrafo das minhas coreografias. Acho isso muito importante. Sermos protagonistas de nossa história. Então, tudo o que aprendo eu absorvo e reconstruo do meu jeito.

Com Arielle Macedo, a coreógrafa de Anitta

 

Caderno W: O que é o Stiletto Dance?

Roberto: O Stiletto é popularmente conhecido como a Dança do Salto Alto ou Dança das Divas. Do salto, porque a modalidade se faz em cima de um par de salto alto. E das Divas porque geralmente as coreografias são inspiradas nas divas do Pop, como Madonna, Beyoncé, Rihanna, Britney Spears, dentre outras. A modalidade tem um trabalho de consciência corporal muito intensificada no que tange à postura e ao domínio e consciência do movimento. E isso de uma maneira muito sensível elegante e feminina.

 

Caderno W: Quando e como foi o seu primeiro contato com a dança?

Roberto: Para ser sincero, acredito que no ventre materno eu já dava os meus passinhos (risos). A dança sempre existiu em mim e de maneira muito sensitiva. Não sei se é uma herança genealógica, mas a minha avó materna e as minhas tias dizem que a minha mãe era ‘A garota anos 70’. Porque dançava em festivais da era Disco. Então… vale essa informação. Eu insisto até em dizer que não escolhi a dança e sim fui escolhido por ela. Para se ter uma ideia, eu fiquei afastado por quase dez anos da dança porque, infelizmente, não há como viver da arte em nosso País.

 

Caderno W: Você dá aulas, onde?

Roberto: Quando o assunto é Stiletto, eu jamais poderei deixar de falar daquele que foi o primeiro que acreditou no meu trabalho e me abriu as portas, o Cleber Gimenez. Sim, o grande administrador de um negócio chamado Olímpia (tem academia em Brás Cubas e no Centro de Mogi). Por detrás disso, está a Vanessa Gimenez, a irmã dele, com quem tenho uma amizade de mais de 30 anos. Hoje, graças ao universo, há 12 academias com a modalidade Stiletto. São elas: Trainer, Casarini, Fit 3.0, Fit Extreme, Domme, Baila Comigo e Golden. Algumas delas possuem mais de uma unidade e os olhos estão à espera de novidades…

 

Caderno W: Qualquer pessoa pode dançar Stilleto? A partir de que idade?

Roberto: A modalidade pode ser feita por qualquer pessoa que tenha uma relação de amor com a arte e em especial a arte de dançar. Por ser uma modalidade que faz o uso do salto, as ressalvas estão somente para quem tem a restrição do uso desse tipo de sapato, e, ainda assim, permito que a aula seja feita no tênis, quando estou de bom humor (risos). A idade, pelo menos uns 12 anos! E não há distinção alguma. Homens e mulheres são todos bem-vindos. Eu hoje tenho um público totalmente feminino, formado por mulheres maduras, o que me deixou muito surpreso de maneira positiva. São mulheres do nosso dia a dia. Profissionais, casadas, mães, enfim, mulheres DIVAS na verdade. Em São Paulo e no Rio de Janeiro é muito comum o público masculino praticante desta modalidade, é algo que eu ainda não consegui por aqui: “Rapazes vamos subir no salto também”.

 

Caderno W: Qual é a importância da dança, em especial do Stiletto, na vida das mulheres?

Roberto: Eu estou dando aula de Stiletto já há quase três anos. E foi aqui em Mogi das Cruzes onde tudo começou. No início, o trabalho em si estava totalmente atrelado ao universo estético físico, porque a modalidade proporciona alguns resultados neste segmento (pernas torneadas, silhueta, bumbum durinho). Mas, com o passar do tempo, fui observando algumas outras mudanças em meio às minhas alunas que deixaram até mesmo a estética em segundo plano. Mudanças incríveis, que, no início, eram confidencializadas a mim, e que hoje são pautas discutidas entre elas e até divulgadas entre outras mulheres, que, por sua vez, se interessam em fazer a aula. O Stiletto proporciona um relação com a alma feminina, com os valores do universo feminino, muitas vezes asfixiados pelo machismo esquecidos, por tantos afazeres mutilados, por desamores ou perdidos em si. Isso tudo veio como presente para mim. Eu sou um admirador das mulheres.  O Stiletto faz um mergulho na essência da mulher e faz esse reencontro dela com a beleza feminina de ser. A autoestima ganha vida por meio da cor de um batom, de um pincelar de rímel e, claro, em cima do salto alto.

 

Caderno W: Teve algum momento marcante em sua vida?

Roberto:  Todo momento é sempre único e nos marca num determinado instante. Mas cada história partilhada são momentos marcantes. Nós que temos o nosso corpo como instrumento de trabalho temos uma relação bem delicada porque somos nós e nós mesmos. E somos referência. Somos exemplo. Somos inspiração. Mas somos humanos e, às vezes, não estamos num dia bom e tudo perde a cor. Formei um grupo lindo de mulheres (alunas das academias diversas) que fazem apresentações comigo. E nos dias de apresentações elas transbordam felicidade e isso me deixa profundamente feliz e realizado.

 

Caderno W: Como se mantém atualizado?

Roberto: Estou sempre sintonizado com as novidades musicais e tendências da atualidade. Mas não dispenso as grandes obras que marcaram gerações. I Am What I Am , de Gloria Gaynor, é para sempre e sempre muito atual, assim como a discografia de Madonna. São verdadeiras paixões entre as minhas alunas. Para se ter uma ideia a música Como uma Deusa, de Rosana, e Não está sendo fácil, da cantora Kátia, são sempre pedidas. Quanto à modalidade, sempre faço workshops e participo de congressos. Também troco experiência com os parceiros.

 

Roberto por Roberto

 

– O que faz nas horas de folga?

Eu dedico parte significativa do meu dia para a minha pequena Monaliza Valentina, uma cachorrinha que eu amo de paixão. Também aproveito para estudar novas coreografias, quando não estou em ensaios e apresentações. Eu sou um apaixonado por praia.

 

– Um lugar de Mogi das Cruzes

O Teatro Vasques. Se eu pudesse me mudava pra ele. Desde pequeno tenho uma conexão com ele. O palco do Vasques foi espaço para muitas realizações minhas, como peças de teatro, oficinas e as mais diversas apresentações de dança. O Teatro Vasques é cúmplice de muitos momentos de realização pessoal e profissional.

 

– A dança na minha vida

Na verdade, a minha vida na dança. É uma coisa só.  Não há uma coisa sem a outra porque na verdade a dança é a minha alma. Logo minha alma sou eu.

 

– Uma frase de motivação

Não seria bem uma frase, mas uma reflexão. Eu vejo a vida como um gigantesco livro de páginas em branco. Nessas páginas, eu me faço autor e personagem de tudo o que irei vivenciar. Protagonista ou antagonista. Coadjuvante, apoio ou figuração… posso ser tudo. E devo ser tudo. Porque, no final, eu tenho a minha biografia.

 

– Como lida com as dificuldades do dia a dia

São várias. A questão sexual é uma constante luta. Muito se fala sobre a igualdade, o respeito e etc, etc, etc … mas a verdade é uma só, sofremos o preconceito e ponto. Então é preciso lutar com o eu interior para que a tristeza não nos tire a alegria de sorrir. Outra pauta é a humanidade, se é assim que podemos falar. Estamos vivendo dias terríveis, onde a maldade parece protagonizar a vida humana. Desrespeito e egoísmo estão ganhando forças e isso tem causado ‘pessoas ilhas’, ou seja, pesssoas sozinhas. Porém, ‘ninguém é uma ilha’, já dizia John Donne.

 

– Como é o seu dia a dia de trabalho

Tenho um dia a dia bem agitado e tudo muito cronometrado. Como são doze academias, eu me divido nos horários para seguir o calendário semanal. Em meio a isso tudo, cuido da minha bebê, de minhas tarefas de casa, além do horário para a criação das coreografias e os ensaios de apresentações.

 

 

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