Salão do móvel de MilãoO paulistano Alex Bonilha, de 35 anos, é arquiteto. Segundo ele, arquitetos não são artistas ou escultores, mas sim criadores técnicos que estudam para viabilizar sonhos. Confira a entrevista: 

Caderno W: Onde se formou? 

Alex Bonilha: Cursei a faculdade de arquitetura na Universidade Braz Cubas (UBC), em Mogi das Cruzes, e os dois últimos anos na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, onde me formei. Atualmente, estou cursando Engenharia e Gestão de Obras pela FAAP-SP.

Caderno W: Por que escolheu a arquitetura?

Alex Bonilha: Para ser um profissional que, empregando os conhecimentos técnicos, aliados ao refinamento estético, possa criar um produto cujo objetivo seja fazer as pessoas se sentirem melhor, trazer bem-estar e agregar qualidade de vida. Arquitetos não servem para fazer casas e edifícios apenas bonitos que não servem para ninguém ficar dentro. Arquitetos não são artistas ou escultores, mas sim criadores técnicos que estudam para viabilizar sonhos.

Caderno W: Tem algum profissional em que se inspira? Qual é o seu estilo?

Alex Bonilha: Sou admirador da escola modernista, que evidencia as linhas puras e a funcionalidade. Um grande expoente do movimento no Brasil foi Oscar Niemeyer, que dispensa apresentações. Eu sou grande admirador dele. Outro profissional, cujos projetos me inspiram fortemente, é Frank Lloyd Wright, um dos mais importantes arquitetos do século XX. Recentemente, a arquitetura mundial sofreu uma grande perda, Zaha Hadid, arquiteta com um legado fantástico composto por obras de estética futurista e estrutura tecnológica.

Caderno W: Você se recorda do primeiro projeto?

Alex Bonilha: Comecei a atuar na área muito cedo. Logo no primeiro ano de faculdade, consegui estágio em uma grande construtora em São Paulo. Depois comecei a trabalhar em escritórios de arquitetura renomados e, em paralelo, desenvolvia trabalhos como freelancer. Eu sempre gostei da profissão e busquei conhecê-la sob diferentes pontos de vista. Para que eu tivesse uma formação generalista e mais completa possível, comecei a pegar alguns projetos e isso me deu a coragem de me lançar em carreira solo. No início, tive muitas dificuldades em função de ser muito jovem e isto ser um fator de pré-conceitos, mas hoje vejo que o profissionalismo e a obstinação rompem qualquer barreira. O importante é perseverar naquilo que se deseja e não desistir.

Caderno W: Como avalia o mercado atual? E a concorrência?

Alex Bonilha: O mercado tem sede de inovação e sempre haverá demanda por profissionais que se preocupam em se atualizar e inovar em seu ramo de atuação. Há de ser muito perseverante também, mas essa entrega só vem quando se é apaixonado pelo que se faz.  Ter de fazer algo que não te motiva é um veneno que te mata aos poucos, agora, quando se trabalha com aquilo que se ama, se torna quase um passatempo, fica natural e motivador, acaba sendo o combustível para se superar sempre.

Caderno W: Como é o seu dia a dia?

Alex Bonilha: Muito agitado. Eu gosto de acompanhar as obras de perto, estar por dentro de tudo o que acontece em cada uma delas e cuidar pessoalmente da criação dos projetos. Atendo também a cada cliente, acredito que este contato seja fundamental para o sucesso de cada projeto. Costumo sair tarde do escritório, por volta de 21 horas, e o que ajuda muito, é o fato de minha esposa, Mahely, trabalhar comigo. Ela é designer de interiores e juntos desenvolvemos os projetos de decoração do escritório. Temos os mesmos objetivos e não nos importamos de perder finais de semana ou feriados em função de um projeto.

Caderno W: Como é o seu trabalho? E como define o profissional da arquitetura?

Alex Bonilha: Comumente, a sociedade enxerga o arquiteto como uma profissão onde há muito glamour, porém, a realidade é muito mais árdua e requer “mão na massa” e muita transpiração. O bom arquiteto precisa ter visão generalista e entender de tudo um pouco para saber criar espaços que sejam completos, não só de uma maneira estética, mas estrutural também. É preciso compreender a edificação muito além dos traços para que ela seja exequível nos âmbitos financeiros e de qualidade, para isto, é preciso entender de métodos construtivos, instalações, novas tecnologias e materiais, além de estar sempre antenado com as inovações do setor. É claro que o apuro estético também é fundamental para a criação de obras que ajudem a embelezar o contexto onde estão inseridas.

Caderno W: Quantas pessoas atuam no seu escritório e quais são os profissionais?

Alex Bonilha: Somos em seis profissionais, sendo três arquitetos, um designer de interiores, um estagiário de arquitetura e uma pessoa responsável pelo setor administrativo e financeiro do escritório e das obras que conduzimos.

Caderno W: Como se mantém atualizado? Quais são os eventos que você não deixa de participar?

Alex Bonilha: Costumo dizer que todo arquiteto, ou todo profissional que trabalhe com criação, deve ser curioso no sentido de procurar estar por dentro de tendências, novidades, e treinar sempre o olhar crítico. O arquiteto deve ter repertório e ele pode ser alimentado por meio de viagens, feiras do setor, exposições de arte e até mesmo em uma simples caminhada pela rua. A chave é a contemplação e o olhar crítico.

Caderno W: Toda obra precisa de um profissional da arquitetura?

Alex Bonilha: Toda obra precisa de um profissional capacitado para gerir toda a parte técnica e com apuro estético para criar algo belo, que valorize o imóvel. O arquiteto é o profissional qualificado para isto.

Caderno W: O que deve ser levado em consideração na hora de se contratar um arquiteto?

Alex Bonilha: Idoneidade, profissionalismo, experiência, qualificação e, claro, deve haver uma sintonia entre cliente e arquiteto.

Caderno W: O ponto de partida de uma obra não se dá no escritório de um arquiteto. Quanto tempo demora uma obra?

Alex Bonilha: Acredito que uma boa construção, começa com um projeto bem feito e um planejamento financeiro e de etapas bem estudados. A chave para que tudo corra bem está no planejamento, com ele é possível se antever à contratempos, tão comuns nos canteiros de obras, e se precaver para que aquilo não atrapalhe o andamento. O tempo de duração é muito relativo, vai depender da dimensão e porte da edificação, de sua complexidade e verba destinada à ela.

Caderno W: Investir em um profissional de arquitetura para construir a casa dos sonhos é muito alto?

Alex Bonilha: Sempre que me perguntam, se contratar um arquiteto é caro, eu respondo: ‘mais caro é fazer a obra sem contratar o arquiteto’. O nosso trabalho é otimizar o investimento, criar espaços, otimizando os recursos empregados.

Caderno W: O seu escritório cuida de tudo? Fale sobre isso…

Alex Bonilha: Sim, prestamos desde a assessoria na escolha do terreno até o acompanhamento da obra, decoração e detalhes finais.

Caderno W:  De onde tira inspiração para criar obras tão exuberantes?

Alex Bonilha: Hoje, apesar de tudo estar na Internet, acho muito importante conhecer de perto um local, uma cultura diferente com sua arte própria, uma exposição, as feiras do setor, onde há lançamentos de materiais, conceitos, tendências. Quando se vê pessoalmente, é possível sentir a atmosfera, as texturas, o impacto e a percepção realmente são outros. Gosto de pesquisar muita coisa na Internet, onde o conhecimento é acessível e rápido, mas acho que não substitui o presencial.

Caderno W: O estilo do morador influencia na arquitetura?

Alex Bonilha: Sim, e deve ser um dos pontos de partida para a concepção de um projeto funcional. A casa deve ser feita para ser habitada, desfrutada e isto só é possível se o projeto for feito sob medida para aquele(s) morador (es).

Caderno W: A crise socioeconômica do País te atrapalhou em algo?

Alex Bonilha: Toda crise, de modo geral, representa uma mudança, e as mudanças também podem ser vistas como ameaças, ou como oportunidades. A forma como reagimos a ela é que determinará o resultado do “fruto” que colheremos. Vejo a crise, sem dúvida, como uma situação em que se exige que deixemos a nossa zona de conforto e busquemos a diferenciação e inovação.

Família reunida
Família reunida

Caderno W: Eu tenho preguiça de…

Alex Bonilha: Gente acomodada.

 

Caderno W: Nas horas vagas, eu…

Alex Bonilha: Surfo, viajo, cozinho, curto a família, assisto a um filme, ou seja, procuro fazer atividades que me relaxem.

 

Caderno W: Um livro e uma música…

Alex Bonilha: Estou lendo “Abílio”, que conta a trajetória do empresário Abílio Diniz. Uma música: Pink Floyd – “Another Brick in The Wall”.

 

Caderno W: A minha família é:

Alex Bonilha: Muito importante, é a base de tudo.

 

Caderno W: Os meus amigos são:

Alex Bonilha: Essenciais.

 

Caderno W: A Mahely é…

Alex Bonilha: A minha esposa é a minha companheira e principal incentivadora do meu trabalho e crescimento. Sem ela, eu não teria conquistado o que já conquistei.