Robson Regato
Mogiano e inquieto, Robson Regato é um profissional de muitas qualidades. Arquiteto, editor de livros e revistas, fotógrafo, ator, publicitário e cidadão do mundo, ele vive a vida movido a desafios e sempre tem uma boa novidade ou projeto para contar. E 2012 promete muito trabalho com o objetivo de materializar um sonho do colunista e também diretor deste jornal, Willy Damasceno, que é editar e coordenar o livro W. Crônica de um Tempo. Trata-se de um projeto ousado e que não medirá esforços no sentido de utilizar todas as ferramentas existentes no mercado com o intuito de revelar ao leitor as transformações que ocorreram na sociedade em quase 40 anos. As famílias, as festas, os fatos, os acontecimentos sociais de uma Mogi das Cruzes em constante crescimento e desenvolvimento sob o olhar atento de Willy, serão transformados em livro pelas mãos de Robson Regato. Será uma obra inédita no Brasil, com 400 páginas de fotos, textos e história. Regato é responsável, com o fotógrafo Lailson Santos, pela produção e edição do belo livro fotográfico sobre a Festa do Divino de Mogi. Agora, terá alguns meses de muito trabalho para contar mais uma história da cidade.
Caderno W: Como editor executivo do livro W. Crônica de um Tempo, o segundo livro do colunista Willy Damasceno, fale um pouco sobre o que você pensou para este projeto e o que pode adiantar dele…
Robson Regato: Mais uma vez estamos diante de uma obra inédita, algo que ainda ninguém fez no País. Vamos fazer um livro de 400 páginas, sem poupar trabalho nem recursos técnicos para mostrar os acontecimentos e as famílias que marcaram a história destes 40 anos de jornalismo social do Willy. Ele é um grande profi ssional. Sua ousadia e coragem para enfrentar grandes desafios é que me atraem muito a participar desta realização. Estamos diante de um compromisso e responsabilidade muito maiores do que no primeiro livro dele que produzimos. Temos mais 20 anos de história agora. Uma sociedade que amadureceu e se transformou depois de tantas mudanças no Brasil.
Caderno W: Como experiente profi ssional de comunicação que você é, qual a importância deste novo livro do Willy sob os diversos aspectos: histórico, social, dentre outros?
Regato: Em primeiro lugar, ter um documento histórico do próprio Willy. Seu trabalho, o que ele conquistou profi ssionalmente neste período, a forma como ele acompanhou, jornalisticamente, a evolução de uma sociedade, já seriam motivos suficientes. Mas há também a importância da cidade de Mogi das Cruzes, que tem se destacado cada vez mais no cenário nacional. O que faz uma cidade são as pessoas que nela vivem e trabalham. Por isto, é oportuno documentar a presença delas neste processo de evolução histórica. Entre outros fatores, destaco o reconhecimento proporcionado por uma obra bem realizada. Como exemplo, cito o livro da Festa do Divino: se você disser em algum lugar que a festa de Mogi das Cruzes é a mais antiga e uma das maiores do Brasil, corre o risco de ser zombado. Agora, se você mostrar o livro que fizemos, com certeza todos vão prestar atenção no que você tem a falar sobre a festa.
Caderno W: Você e a jornalista Vanice Assaz fizeram o primeiro livro do Willy, em 1991. Foi um projeto ousado e pioneiro, numa época em que tudo era feito de maneira mais artesanal, pois não existiam muitos recursos técnicos e ainda por cima, teve também o fatídico Plano Collor, que confi scou o dinheiro de todo mundo. Conte-nos sobre este desafio.
Regato: A Vanice foi minha grande parceira profissional, fizemos três livros juntos. O primeiro foi Histórias do Comércio Mogiano, idealizado pelo Airton Nogueira. O segundo foi Willy & Sociedade e logo em seguida O Desenvolvimento de São José dos Campos. Sem dúvida, produzir um livro naquela época era muito mais complexo, tudo manual. Editorialmente falando, sabia que nenhum colunista no Brasil havia encarado um projeto daquela dimensão. As difi culdades foram muitas, natural mente, inclusive pelas imposições do plano econômico do Collor que nos pegou no meio do projeto, mas o resultado foi surpreendente e tenho a certeza de que agradou a todos. As características daquele projeto, tanto gráficas quanto editoriais, me trouxeram bons frutos. Cheguei a dar uma palestra, na Universidade de Lyon, na França, sobre o livro.
Caderno W: Em Mogi, você editou trabalhos importantes, como o livro fotográfico em parceria com o fotógrafo Lailson Santos sobre a Festa do Divino… Como foi a emoção e a responsabilidade de produzir este trabalho para a cidade?
Regato: O livro de fotos da Festa do Divino, que lançamos no ano passado, é tão especial que tenho medo de enumerar os motivos e esquecer algum. A começar pela emoção de fotografar, com esta responsabilidade, a Festa do Divino, cujas imagens ocupavam minha memória desde a infância. É o primeiro livro em que fiz um pouco de tudo o que aprendi a fazer: fotos, textos, direção de arte, edição, o projeto, etc. É a celebração de uma parceria antiga e de grandes trabalhos com o fotógrafo Lailson Santos. É o primeiro trabalho meu em que minha filha, Nina, ela sim é jornalista, participa. Também tive o privilégio de ter os textos dos dois jornalistas que mais admiro na cidade desde quando comecei a trabalhar com publicidade, nos Anos 70, Darwin Valente e Vanice Assaz.
Caderno W: Como foi seu início de carreira na área da Comunicação Social? Quais trabalhos desenvolveu…
Robson: Na verdade, eu me formei em Arquitetura. Queria estudar algo que envolvesse artes, cultura, comunicação, formas de expressão e este era o curso mais abrangente na época. Apesar de nunca ter trabalhado no mercado da construção, a Arquitetura me deu bases sólidas para tudo que faço. Comecei a trabalhar no mercado publicitário ainda antes da faculdade, mas quando terminei o curso, estava seduzido pelos desafios do mercado editorial e tive a intuição de que a minha experiência na área de criação publicitária somada à minha formação como arquiteto poderiam dar algum resultado interessante. Daí, foi tudo muito rápido: comecei em uma revista como diretor de arte, dali virei editor de arte e, como tenho facilidade com as técnicas de redação, de repente virei editor. Não trabalhei em tantos lugares, mas tive a oportunidade de trabalhar em bons veículos no momento certo e ao lado de grandes profissionais, experiências que contribuíram muito na minha formação.
Caderno W: Hoje em dia, o foco do seu trabalho são os livros?
Regato: Quando disse que não trabalhei em tantos lugares, é porque depois que fiz meu primeiro projeto editorial completo, vi que podia ser autônomo. Meu foco são projetos editoriais de forma abrangente, sejam revistas, catálogos, anuários, documentários ou soluções para comunicação empresarial. Claro que fazer um livro dá um prazer maior, é diferente.
Caderno W: Jornalista, fotógrafo, diretor de arte… Tudo isto complementa o seu trabalho e faz de você um profissional completo e inquieto, portanto, apto a desenvolver projetos mais elaborados. Como tudo isto foi ocorrendo na sua vida?
Regato: Em cada tempo aconteceu uma coisa e uma foi se juntando à outra, com o passar dos anos. Fui vivendo experiências e tentando, sempre, tirar o máximo de proveito de cada uma delas. Meu desejo de criar e realizar as minhas criações é muito forte. Minha inquietação e autocrítica também. Por isto, estou sempre interessado em aprender a usar uma ferramenta nova, em fazer ainda melhor aquilo que faço ou fazer aquilo que ainda não fiz.
Caderno W: Você mora em São Paulo atualmente. Que vínculos pessoais e profissionais tem com Mogi das Cruzes?
Regato: Não tenho vínculos com lugares, mas com pessoas. Os lugares servem apenas para serem observados, admirados. Com as pessoas você se relaciona. Minha mãe e minha filha moram em Mogi. Tenho bons amigos aqui. Este é o meu vínculo. Tenho apenas um cliente em Mogi, o Colégio Santa Mônica. Profissionalmente, me sinto um cidadão do mundo. Morar na cidade de São Paulo pode-se dizer que é apenas uma questão de logística. Profissionalmente e pessoalmente também.
Caderno W: O teatro faz parte da sua vida. Quando você começou a atuar, de quais projetos já participou e quais estão em andamento?
Regato: Os projetos editoriais me dão muito prazer, mas naturalmente me colocam numa posição de gestor, de dirigir as ações, o que exige que eu tenha cada vez mais conhecimento sobre todas as etapas, mas me mantém distante do exercício visceral da criação. À medida que os projetos começaram a avançar, além da necessidade pessoal, senti liberdade para novas experiências. Há dez anos, assistindo a uma palestra do Marco Bertaiolli, fiquei marcado por uma frase sua, de que o homem aos 40 anos está preparado para realizar um sonho, está em condição de recomeçar a vida. O teatro era um sonho meu desde a adolescência. Achei que aquele era o momento. Fiz vários cursos, entre circo, flamenco, mímica, técnicas de interpretação, entre outros e, de repente, comecei a receber convites para atuar. Fiz várias peças, conheci bons diretores e trabalhei com excelentes atores. Na mesma época, decidi também começar a fotografar. São duas facetas que nasceram há dez anos: o ator e o fotógrafo. Consequência da minha inquietude interior. Acontecimentos que me fazem ser cada vez mais grato à vida, pelas boas e prazerosas oportunidades que me oferece. O que estou fazendo hoje? Bom, vamos ver quando ficar pronto. Antes disso, é tudo ensaio, tudo pode mudar. Fazer, pra mim, significa realizar, materializar. Ideias e ensaios são apenas meios para resolver o que e como fazer e, às vezes, decidir não fazer nada.
Caderno W: Mesmo antes de estudar Arquitetura você já trabalhava com publicidade e posteriormente montou a sua própria agência em Mogi. Três anos depois mudou-se para São Paulo, onde a sua carreira como publicitário se solidificou. Como isto ocorreu?
Regato: Na ocasião, havia lido em algum jornal que os escultores italianos Elvio Becheroni e Domenico Calabrone estavam desenvolvendo um ousado projeto de uma revista de artes e cultura. Resolvi procurá-los e tive a sorte de ser escolhido para assumir a direção de arte da revista. Aprendi muito na convivência com eles, o suficiente para que, pouco tempo depois, eu fosse contratado pela Folha de S. Paulo para assumir a edição de arte da Ilustrada e coordenar o fechamento do caderno. Isto, sem nunca ter trabalhado em um jornal anteriormente. Em seguida, tive oportunidade de participar do desenvolvimento do que se chamou na época de “Projeto Folha”, que transformou o jornal no maior do País e foi o embrião do jornal que existe hoje.
Caderno W: Os projetos editoriais dos livros começaram também nesta fase?
Regato: Sim, estas experiências me motivaram a desenvolver os meus próprios projetos na área editorial. Foi quando eu fiz o livro Histórias do Comércio Mogiano, graças à ousadia do Airton Nogueira, presidente da Associação Comercial na época, e em seguida o livro Willy & Sociedade, até hoje uma realização inédita no Brasil neste molde. Foram dois projetos muito bem-sucedidos que me permitiram realizar um terceiro, o livro O Comércio e o Desenvolvimento de São José dos Campos, em parceria com o Sindicato do Comércio daquela cidade. Vale destacar a importante parceria, nestes três projetos, com a jornalista Vanice Assaz.
Caderno W: Você também morou uma temporada na França e atuou também nas artes plásticas. Qual foi o resultado deste trabalho?
Regato: Na França, vi que o artista plástico da moda, naquele momento, chamado Cesar, explorava sucatas como matéria-prima de suas obras. Lembrei do trabalho do mogiano Lúcio Bittencourt, com quem eu mal tinha contato, mas, com o conhecimento deste métier, percebi que o trabalho dele tinha mais consistência conceitual que aquele que fazia tanto sucesso em Paris. Peguei um avião e vim para Mogi, fiz uma reunião com o Lúcio e a Liselote, sua marchande na ocasião. Produzimos um catálogo às pressas em português e francês e voltei para lá decidido a levar seu trabalho para a Europa. O resultado foi surpreendente: um convite como artista de destaque no Salão Internacional da Escultura Contemporânea de Paris, uma exposição no Padrão dos Descobrimentos de Lisboa, um dos principais museus de arte de Portugal, o troféu do Grande Prêmio do Jóquei de Paris naquele ano, três monumentos encomendados pela Universidade de Lyon, um monumento de 15 metros em Lisboa, a pedido do Ministério da Cultura português, além de várias exposições em galerias restritas a artistas consagrados.
Caderno W: E em Mogi das Cruzes, além dos livros que produziu e de sua atuação na área da publicidade, de quais outros projetos você participou?
Regato: Quando retornei da França, fui convidado para desenvolver uma reestruturação geral no Diário de Suzano, que abrangeu o projeto editorial e gráfico, o aperfeiçoamento da equipe, o aprimoramento do processo industrial e a relação com assinantes e o desenvolvimento de estratégias comerciais. Em seguida, fiz o projeto e comandei o relançamento do Mogi News, trabalhei como editor chefe nos primeiros meses de implantação do jornal. Até ali eu já havia transitado por várias atividades na área de comunicação.