Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), a jornalista Carla Fiamini, que atua, ainda, como mestre-de-cerimônias, professora universitária, escritora e palestrante, é daquelas profissionais que inspiram credibilidade pela paixão com a qual atua – e defende – a sua profissão, iniciada em 2003, quando começou a carreira como estagiária no Diário de Suzano, de Suzano (SP), sua cidade natal

Pós-graduada em Docência no Ensino Superior, pela Universidade Paulista (Unip); pós-graduanda em Neurociência e Comportamento, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC); especialista em Assessoria de Imprensa, com ênfase em Órgãos Públicos e Mandatos; em Gerenciamento de Crise; em Media Training; e em Cerimonial e Protocolo, Carla é filha de Aunir Antonio de Barros (in memorian) e Sandra Fiamini; irmã de Carolina Fiamini e noiva de Michel Meusburger.

Atualmente, trabalha com Política (desde 2010) e, há quatro anos, numa agência de Publicidade que tem sede em São Paulo e em Mogi das Cruzes. Em paralelo, comanda uma empresa especializada em Assessoria de Imprensa, em Produção de Conteúdo e em Protocolo e Elaboração e Condução de Cerimonial.

Confira a entrevista:

 

 

Caderno W: Por qual motivo optou seguir na área da Comunicação Social? Você sempre quis ser jornalista (tinha esse sonho)?

Carla Fiamini: Minha mãe é professora e sempre incentivou muito, a mim e à minha irmã, a lermos. Em casa, era assim: “terminou um livro, já pegue outro”. Na escola, sempre tive muita facilidade com a Língua Portuguesa, e era uma das minhas matérias preferidas. Em Redação, era imbatível. Na juventude, participei do Clube de Castores, que é a ala jovem do Lions Clube. O objetivo da entidade é promover o desenvolvimento de seus membros a partir do trabalho voluntário, da união e do companheirismo. Passei pela presidência e pela secretaria do Clube, inclusive Distrital (que equivale à organização em nível estadual). Porém, foi elaborando os informativos da entidade que me encontrei no Jornalismo. Logo, prestei vestibular para Comunicação Social. Passei, inclusive, com uma das notas mais altas em Redação computadas naquele processo seletivo.

 

Momento em família

 

Caderno W: Fale sobre o início da carreira, como se deram os primeiros trabalhos? 

Carla: Prestei vestibular no fim de 2002. Em janeiro de 2003, fiquei sabendo que havia uma vaga de estágio aberta no Diário de Suzano, jornal mais tradicional da minha cidade natal. Juntei meus boletins do Clube de Castores, atualizei meu currículo e fui lá, com a maior cara de pau do mundo, pedir emprego. A editora-chefe da época, a jornalista Simone Leone, hoje minha amiga pessoal, me ouviu com a maior paciência do mundo e me sugeriu que eu passasse por um teste. Fiz o teste – uma matéria sobre o “Plano Verão”, com direito a “fala povo” na frente da Caixa Econômica Federal (CEF) de Suzano, embaixo de um sol de verão de 30 graus. Dias depois, a Simone me ligou, me informando que eu havia passado no teste e que era para eu levar meus documentos ao Departamento de Recursos Humanos (RH) do jornal. Lá, a responsável pelo setor reparou que eu nem havia começado a faculdade de Jornalismo – de fato, minhas aulas só teriam início no mês seguinte – e me avisou que o Diário de Suzano só admitia estagiário a partir do 3º ano de curso superior. Para não perder a vaga, usei como argumento o fato de que eu havia passado no teste, e que, então, era capaz. O que iam fazer comigo era discriminação, afinal (risos). E, aí, ninguém teve muito o que fazer. No jornal, trabalhei até novembro de 2004. Neste tempo, aprendi muito e fiz de tudo um pouco, desde matéria comercial, passando por cobertura policial e pela editoria de Política.

 

Caderno W: Alguém a inspirou a seguir na carreira, no começo? E, hoje em dia, quem a inspira?

Carla: Sempre gostei muito de jornal impresso, de revista. Independentemente disso, era fã do trabalho do Roberto Cabrini, na TV. Tanto que, num dia, depois do expediente no Diário de Suzano, faltei à aula e baixei lá na TV Bandeirantes, no Morumbi, para entrevistá-lo. A matéria foi publicada no jornal da faculdade e aproveitada pelo Diário de Suzano. Da admiração da aluna pelo âncora, surgiu uma amizade que dura até hoje. De lá para cá, é claro que passei a admirar outros jornalistas, comentaristas e analistas políticos brilhantes, que, aliás, muito me inspiram, como Marco Antonio Villa, Carlos Andreazza, Vera Magalhães, Alexandre Borges, Joseval Peixoto, José Maria Trindade, Silvio Navarro, Josias de Souza e Leonardo Sakamoto.

 

 

Caderno W: Com tantos anos de atuação no Jornalismo, faça uma breve avaliação de como era o Jornalismo anos atrás, e como ele se encontra atualmente? Que mudanças são essas?

Carla: São 16 anos de Jornalismo, de profissão. Na época em que debutei na área, havia um único computador com Internet na Redação. Nós, jornalistas, dependíamos, muito mais, de nossas fontes, do telefone com fio, do “pisar no barro”, de ir atrás, mesmo, para elaborarmos matérias. Mas, reconheço que “amassar o barro”, tempos atrás, foi fundamental para que os jornalistas, hoje, lancem mão da Tecnologia com responsabilidade, lucidez e cuidado. Hoje, temos inúmeras plataformas a um clique de distância e diversos instrumentos democráticos para compartilharmos o tal do Jornalismo que informa para transformar, que fiscaliza, que, enfim, cumpre seu papel, e isso é maravilhoso.

 

Caderno W: A Internet é a ‘culpada’ dessa revolução? 

Carla: A questão é que muitos acham que, só porque têm Wi-Fi em casa e um perfil numa rede social, podem propagar o que quiserem, inclusive sem checar fontes e ouvir  todos os lados envolvidos numa notícia, ou sem mostrarem a cara. Esse lance de notícia sem CNPJ, de robôs, me deixa um tanto desgostosa. Tudo isso deve ser combatido fortemente, pois, assim como uma droga, a fake news vicia, tendo quem lucre com ela e quem a consuma sem moderação. As pessoas também têm uma mania inacreditável de quererem debater sobre tudo, mesmo sem entenderem de nada – e o pior, em nível repleto de extremismo, de ignorância e de autoritarismo, com direito à discriminação, à ofensa. Daí, para amenizarem, finalizam postagens horrorosas com salmo bíblico. Mesmo assim, as redes sociais não devem ser caladas, censuradas – de maneira alguma. Mas, é preciso que seus usuários respeitem os indivíduos, posições, instituições e a Constituição Federal. Por fim, costumo dizer que a sociedade não foi preparada para o advento da Tecnologia. Elas usam a Internet com a mesma certeza que têm aptidão para portarem armas de fogo; com o mesmo discernimento que regulam o ar-condicionado (risos).

 

Caderno W: O que há de bom e de ruim, hoje, na profissão?

Carla: A Economia em linhas gerais não anda bem no Brasil já há algum tempo, e a área da Comunicação foi uma das mais afetadas por isso. Sem dinheiro girando, a iniciativa privada aperta os cintos e não investe em Publicidade. Logo, os veículos de Comunicação começaram, anos atrás, a depender, terrivelmente, do poder público, e a enxugar suas estruturas. Primeiro, substituíram boa parte dos jornalistas formados por estagiários. Depois, se renderam aos cortes. Logo após as eleições municipais de 2008, significativa fração dos políticos eleitos enxergaram a necessidade de se investir na boa relação com a Imprensa e de se conquistar espaço no ambiente virtual. Isso acabou favorecendo a migração de muitos profissionais para a Assessoria de Imprensa Política. Só que, hoje em dia, tem mais assessor de Comunicação do que veículo de Comunicação. De qualquer maneira, a mesma Internet que fez com que a mídia tradicional fechasse postos de trabalho no passado concedeu novas possibilidade de recolocação ao jornalista.

 

Caderno W: Você se especializou em Fake News? Fale sobre isso. Como identificar uma notícia falsa de uma verdadeira? 

Carla: Na verdade, não me especializei neste assunto. Sou mais uma curiosa quanto ao tema – uma curiosa indignada, diga-se de passagem. Só que, de uns tempos para cá, algumas faculdades, organizações e veículos de Comunicação passaram a me convidar para discorrer sobre a matéria. Quem tem formação em Comunicação, até por dever de ofício, sabe, de cara, identificar uma fake news. Só que a maior consumidora de fake news é a massa, é a população; aquela pessoa que não tem assinatura de jornal, nem o hábito de ler impresso ou de acessar sites de notícia; é o cidadão que, por outro lado, tem acesso facilitado à Internet, que tem WhatsApp, e que recebe dezenas de mensagens falsas por hora em seu celular. A fake news se torna “verdade” onde não há espaço para desconfiança, debate, contra-argumento. Se uma pessoa recebe uma notícia falsa e não sabe nem onde checar se aquilo que está ali é verdadeiro, aquela mensagem se torna verdade – e o pior: é compartilhada em questão de segundos com milhares de contatos. Digo sempre que as escolas deveriam ensinar como identificar fake news, pois a questão é muito mais cultural, de conhecimento, de hábito e de acesso à informação. Numa analogia bem grosseira, é um produto pirata. Antes de mais nada, o brasileiro precisa aprender a distinguir notícia de contação de história, fofoqueta de mentira. A fonte precisa ser confiável, ou seja, deve-se evitar aquelas informações que chegam não se sabe nem de onde. Empresas de Comunicação tem CNPJ, endereço físico, funcionários, logomarca, história e receio de arcarem com processos judiciais face uma publicação mentirosa, falaciosa ou que cometa injustiças. Fake news, afinal, é crime.

 

Caderno W: Onde trabalha atualmente e como é o seu dia a dia profissional?

Carla: Trabalho com Política desde 2010 e, desde 2015, numa agência de Publicidade que tem sede em São Paulo e em Mogi das Cruzes. A expertise da empresa é conta pública. Então, vira e mexe, estou fora, em outra cidade. Algumas vezes, é bate e volta. Outras, períodos mais longos – já cheguei a ficar 15 dias longe de casa, por exemplo. Mas, para mim, não há problema algum nisso. Gosto muito do que faço – de verdade. Com outras empresas parceiras, ainda atuo com Media Training. Em paralelo, tenho uma empresa especializada em Assessoria de Imprensa, em Produção de Conteúdo e em Protocolo e Elaboração e Condução de Cerimonial. Brinco que meu dia de trabalho começa quando pego o celular (risos), mesmo estando de pijama e pantufas. Acredite: tomando café ou nos intervalos do Pilates, resolvo muita coisa pelo celular. Aliás, rendo homenagens a quem idealizou o WhatsApp, assim como a quem tirou do papel o rodoanel e a escova progressiva. Essas invenções facilitam, e muito, a minha vida (risos). Trabalho de oito a 12 horas por dia, incluindo expediente e reuniões, visitas e planejamento. Mas, da mesma forma que meu dia começa quando pego o celular, ele só acaba, mesmo, quando largo o aparelho. Se vejo alguma informação importante por ali, não ignoro porque está na hora da minissérie das 22 horas. Difícil desligar.

 

Caderno W: Que momentos marcaram sua vida profissional?

Carla: Sem dúvidas, trabalhar na cobertura do fim do sequestro de Márcio Gyotoku foi uma delas. Filho de um grande empresário de Suzano, ele tinha, na época, 35 anos. Ficou em cativeiro por 57 dias e, neste período, teve uma das orelhas mutiladas. Me lembro que a libertação ocorreu por volta das 11 horas. A informação chegou à Redação às 12h30. Só que só estavam no jornal o chefe de Reportagem e eu. Ele, por força de ofício, e eu, bem (risos), porque estava enroladíssima com uma matéria. Todo mundo já tinha saído para almoçar. Então, o chefe de Reportagem, o jornalista Márcio Prates, olhou para mim, meio desesperado, e falou: “Carla, vai você, mesmo!”. Eu, a estagiária do primeiro ano de faculdade (risos). Daquele dia em diante, fui elevada à setorista do caso. Fiz plantão no prédio do Márcio, ajudei a Imprensa de São Paulo com informações, desdobramentos e fontes, trabalhei ao lado de gente graúda do Jornalismo nacional e, por fim, consegui para o jornal uma entrevista com a família do sequestrado, que me recebeu no apartamento de alto padrão que mantinham na cidade. Ganhei até chocolate do pai dele, que, mesmo muito traumatizado e desgastado, me recebeu muito bem, naquela oportunidade. Também destaco o Prêmio Internacional de Excelência Profissional que o Rotary Club Internacional me outorgou em 2005. Naquele ano, a entidade comemorou 100 anos de fundação. Então, a Imprensa de todo o mundo fez matérias especiais sobre o assunto, a exemplo do Grupo Mogi News de Comunicação, onde eu era estagiária na época. Fui a repórter responsável pelo suplemento. Rotarys de todas as cidades inscreveram seus materiais para um concurso que o Rotary Internacional lançou para premiar o melhor. E, veja bem, eu, de Mogi das Cruzes-Brasil, fui quem levei para casa o título, que veio dos Estados Unidos assinado pelas altas autoridades internacionais da entidade. Teve cerimônia, autoridades presentes, jantar. Foi tudo muito especial e lindo. Meu material deve ter feito a diferença porque, além de eu ter feito parte do Clube de Castores, do Lions Clube, fui do Rotaract, a ala jovem do Rotary. Então, elaborei tudo com a técnica jornalística, mas com alma rotária.

 

Caderno W: O que faz para se manter atualizada no mundo da Comunicação?

Carla: Quando saio de casa, todos os dias, já li, pelo menos, uns três jornais e acessei os principais portais de notícias do País. No caminho de casa ao trabalho, vou ouvindo duas rádios – alterno o dial dependendo do assunto. Também leio muitos artigos e livros e, constantemente, invisto em atualização técnica – sempre respeitando minhas aptidões naturais -, mas sem ter medo de diversificar a atuação. Afinal, não de hoje, quanto mais plural a gente for, melhor.

 

Caderno W: Na vida pessoal, o que faz para manter mente, corpo e espírito sãos? De que forma, estar em paz consigo mesma a ajuda tanto na vida pessoal como na profissional? 

Carla: Faço Pilates três vezes por semana. Como kardecista, frequento um espaço que oferece palestras e passe (transmissão de energias por meio da imposição das mãos). Ainda faço uso de Floral de Bach (tenho, inclusive, um específico para o carro, além do convencional, com conta-gotas) e sou adepta de Aromaterapia, Reiki, Massagem Terapêutica, ThetaHealing e Reflexologia. Se me mantenho firme e não desisto no meio do caminho é porque invisto muito na água com limão e na oração, também. E, tudo isso influencia diretamente no corpo, no espírito e na mente.

 

Caderno W: O que gosta de fazer quando está de folga? O que a deixa em paz e relaxada?

Carla: Ações que para muitos esbarram na rotina ou na simplicidade me deixam muito feliz, como dormir, comer, tomar banho quente, fazer compra no supermercado e pagar conta – sim, quando quito um boleto libero endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina – os hormônios da felicidade (risos). É aquela sensação de alívio, de que não devo nada para ninguém, de liberdade. Fora isso, gosto de ler, ir ao cinema, assistir a séries e documentários em casa, de brincar com meus três gatos de estimação, de estar com minha família, de receber amigos, ou de ir à casa deles, de ir à praia, de viajar. Aliás, quando quero renovar a alma, é para a praia que eu vou, é um vinho que eu abro.

 

Caderno: Algum momento que marcou sua vida pessoal?

Carla: São tantos. Os tristes, tumultuados e desafiadores me ensinaram, e muito! Outros, ligados a realizações, garantiram minha felicidade, validaram meu esforço e minha dedicação para tudo aquilo que me proponho fazer. Para mim, tudo é especial, tem propósito – desde o livramento de algo ruim, até a publicação de um artigo meu no Estadão; passando pelo dia que consigo acordar às 6h20 para ir para a academia e pelo fato de eu sempre ter para onde voltar, apesar de ter uma profissão que me faz conhecer tanta gente e tantos lugares incríveis. Seria cruel e injusta com a minha vida, caso destacasse um ou outro. Desde as minhas viagens – e eu amo viajar, seja para a praia, para o campo ou para fora do País -, até os lançamentos dos livros que escrevi, as oportunidades profissionais que tive, minhas conquistas materiais, minha formatura, os cursos que fiz, meus amigos, minha fé, minha família e minhas convicções me fazem ter muito mais a agradecer do que reclamar.

 

Caderno W: Que conselho deixa para quem deseja atuar no Jornalismo. Quais as áreas mais promissoras no segmento?

Carla: O conselho é ler, ler, ler, ler, ter disciplina e coragem, cultivar bons relacionamentos no meio (colegas de ofício, veículos de Comunicação e influencers), incluindo as fontes (que têm peso de ouro) e se manter informado. Bom, áreas mais promissoras? A Internet está aí para ser explorada de maneira responsável e profissional – melhor ainda para quem é resiliente, não é resistente às mudanças e lança mão de criatividade e de bom humor.

 

Caderno W: O que mais sonha para a sua vida pessoal e profissional?

Carla: Na vida profissional, a gente não sonha – a gente manifesta e realiza. E, isso, é no dia a dia. Tantas coisas consigo empreender num único dia. Mas, a médio prazo, pretendo, assim que terminar a pós-graduação em Neurociência e Comportamento, na PUC, começar um mestrado. Ainda tenho o desejo de conciliar minhas atividades com a docência. Mas, não nego que a Psicologia me encanta, e muito. Pode ser que, lá na frente, eu acabe me dedicando a esta área, que também, apesar de muitos não reconhecerem isso, tem a ver com Comunicação – a potencializa, a transforma, a torna efetiva.

 

Caderno W: Algum projeto para o futuro?

Carla: Continuar com saúde, discernimento e disposição para comprar as brigas necessárias, discutir as boas ideias, aprender com eventuais erros e desafios e comemorar como se deve toda e qualquer conquista. A gratidão auxilia, e muito, neste processo.