/ 26.01.2012


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Aline Chiaradia

A voz doce embala o público que frequenta a noite mogiana e encanta pelo repertório variado. Aline Chiaradia, de 28 anos, descobriu a vocação para a música aos 18 anos, quando decidiu ser cantora e correu atrás do seu futuro. Foi aprender canto e violão, cursou faculdade de música e logo conquistou os palcos com repertório versátil, que vai do samba, passeia pelo choro e chega aos clássicos da MPB. Na verdade, Aline só canta o que lhe emociona. Nos palcos, tem presença marcante, um sorriso cativante no rosto e uma voz suave que conquista a plateia e arranca aplausos fervorosos.

Atualmente, vive um momento especial em sua carreira e se prepara para o lançamento do CD “Cantando uma História”, fruto de um projeto de apresentações para o público infantil realizado em parceria com os músicos Galocha e Vital de Souza. E já sonha com um disco próprio, que começa a ser pensado este ano.

Cantando com Toquinho em palco mogiano

Caderno W: Como você desco- briu a sua vocação para a música?

Aline Chiaradia: Minha família é de músicos e sempre estive imersa no mundo musical: meu pai era pianista, meu tio, violinista e a mulher do meu tio, cantora de choro. Mas fui descobrir que cantava quando estava no colegial. Estudava no Colégio Santa Mônica e o meu professor de literatura, o Válter Barbosa, que também dava aula de teatro e música, em um dos trabalhos, me ouviu cantar e disse que eu tinha uma voz boa, me incentivou bastante. Eu já adorava música, decidi ser cantora e fui me aperfeiçoar. Estudei canto e violão. Quando fiz 17 anos, entrei na Faculdade de Publicidade e Propaganda na UMC.

Mas logo vi que não era bem isso que eu queria. Então, quando estava no segundo ano, comecei o curso de Canto Popular da Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim (Emesp) e segui a vida conciliando os dois cursos até me formar. Estava muito feliz.

Aline Chiaradia em uma de suas muitas apresentações

Caderno W: Até então você estava aperfeiçoando este seu lado cantora. Mas quando você começou a cantar de fato, se apresentando para o público?

Aline:Meu primeiro show foi no Theatro Vasques, tinha 18 anos e já estava na Universidade Tom Jobim. Foi quando as pessoas me conheceram como cantora, ficaram um pouco surpresas porque eu tinha um repertório bem antigo, de samba tradicional e choro, estava muito apaixonada pelo samba que sempre fez parte da minha vida. Frequentava algumas rodas de choro no Rio de Janeiro. Numa destas ocasiões, o Guilherme Brito, parceiro de Nélson Cavaquinho, me ouviu cantar e, em seguida, beijou a minha mão e me agradeceu pela canção. E só fui saber depois quem era ele e fiquei pensando muito no gesto dele, afinal, tratava-se de um sambista muito importante e nunca mais me esqueci disso. E foi a partir daí que comecei a cantar na noite, o que faço até hoje.

Caderno W: Você se lembra da emoção que sentiu quando começou a cantar na noite?

Aline: A primeira vez que pisei no palco tive a certeza de que queria ser cantora. Lembro-me que nos meus primeiros shows ficava muito nervosa e toda hora pedia desculpa para o público. Até hoje me apresento com os mesmo músicos: o Dudu Mendonça no violão de sete cordas, o Eurico de Souza no cavaquinho, que é um mestre incrível, e o Jorginho Bre no pandeiro. São todos mogianos que fizeram história no samba, no choro. Tocaram com Ivone Lara, Nélson Gonçalves. É um trio que amo ficar perto, porque eles são muito importantes, além de muito talentosos e humildes. Se você não contar o que eles fizeram, eles não contam. Então acho importante falar deles.

Familia musical: a tia Magda, o tio Edison e a mãe Cidinha

Caderno W: Você fez Faculdade de Canto, passou por diversos estilos, mas só cantava samba no início da carreira. Como você conseguiu desvincular esta imagem e partir para outros ritmos?

Aline: Eu era conhecida como cantora de samba e isto me incomodava um pouco. Afinal, eu canto o que me toca e me emociona. E pude mostrar ao público que sabia cantar outras coisas na minha formatura da Faculdade de Música, em 2005. Éramos nove formandos e cada um cantou uma música de Tom Jobim com a Orquestra Jovem de São Paulo. Eu interpretei “Por causa de você”. Foi um desafio porque o samba é tão profundo em mim que nunca tive dificuldade e cantar outras coi- sas exigia mais estudo e dedicação. E deu tudo tão certo que três meses depois o maestro me convidou para gravar “Se todos fossem iguais a você” no disco da orquestra. Fui a única cantora convidada.

Em uma das rodas de violão em família: tio Edson no violão, o avo Benedicto, a tia Magda, o irmão Junior e a mãe Cidinha

Caderno W: Fale um pouco sobre a sua carreira nos barzinhos da cidade…

Aline: Comecei a cantar em um projeto chamado Cartola, no Arco da Velha, que era um bar bacana, com um público meio alternativo e roqueiro. Era um projeto de resgate de samba, que lotava a casa e as pessoas iam para me ver cantar também. Foi muito bom porque descobri que o público roqueiro conhece e gosta de samba. Depois fui convi- dada para cantar na Choperia Viva!!, onde fiz shows temáticos de clássicos como Gonzaguinha, Tropicália, entre outros. Depois disso comecei a cantar acompanhada de Daniel Tretel, que é um músico completo e variei ainda mais meu repertório com MPB. Atualmente me apresento no Cantagalo todos os sábados e também no Fornatta di Nápoli.

 

Caderno W: Hoje em dia você consegue viver da música? É um sonho realizado?

Aline: Sim. Eu vivo da música. Além de me apresentar em barzinhos, sou professora de técnica vocal há cinco anos, atuo com o violonista Galocha e também dou aula para grupos de teatro. Atuo como professora de musicalização e técnica vocal na Escola de Artes da Associação dos Moradores do Jardim Juliana, Vila Paulicéia e Vila Suissa (AJPS). Além disso, participo de um trabalho infantil com os músicos Galocha e Vital de Souza, que surgiu depois que eu cantei com o Toquinho no show de aniversário de Mogi, quando uma escola nos chamou para apresentar músicas infantis dele e de Vinícius para os alunos. A partir daí, começamos a compor e montamos o projeto “Cantando uma História”, que foi apresentado no Cemforpe e em várias escolas.

No projeto "Cantando uma Historia", com Galocha e Vital Souza

Caderno W: Este projeto infantil fez tanto sucesso que vai virar até CD. Como ele funciona?

Aline: As nossas apresentações envolvem teatro, a gente interage com as crianças, brinca de entre vistá-las. É muito gostoso. Conse- guimos patrocínio da AJPS para produzir o CD e o artista plástico Paulo Seccomandi fez a capa. E o nosso primeiro disco está pronto, só faltam as cópias, ficou bem bonito e singelo. São dez músicas de três músicos que se juntaram para fazer as crianças felizes. Não somos arte-educadores, mas procuramos falar de assuntos importantes para o desenvolvimento infantil, como a boa alimentação e os estudos, por exemplo. Fizemos músicas simples para que todos possam cantar junto. Tem até uma canção de ninar e um country. O CD tem também play-backs para a criança cantar e um encarte com as cifras para os professores que quiserem tocar as músicas. Ainda estamos planejando como o lançamento será feito.

Caderno W: E quando você vai lançar o seu CD? Já está planejando isto?

Aline: Sim, estou planejando também o meu primeiro disco. E vou ter de chamar muita gente porque ele é muito complexo. A primeira fase para fazer um CD é escolher o repertório, eu ainda não comecei este trabalho, mas este ano vou me dedicar à seleção das músicas que vou cantar. Sim, porque quero estrear nesta área como intérprete, pois terei mais segurança e liberdade, já que é uma coisa que faço há muito tempo. Preciso ainda buscar patrocínio para realizar este sonho. Quem sabe, depois eu mostro as canções que componho. Nesses 10 anos de carreira, participei do disco de muitas pessoas.

Caderno W: Como você define a sua trajetória e as principais mudanças que ocorreram desde que você decidiu ser cantora aos 18 anos, até hoje, dez anos depois?

Aline: O que me fez cantora de verdade foi a noite. As apresentações em barzinhos me ensinaram que para progredir é necessário produzir. Então, eu tinha provas na faculdade, estudava bastante, mas foram as apresentações na noite que mostraram a minha capacidade, o meu limite como cantora. E o melhor, descobri que em Mogi não existe rivalidade no meio musical. Acho isso muito bonito. Existem grandes músicos aqui e muitas pessoas me estenderam as mãos. Seu Eurico e Dudu me ensinaram muito, são meus mestres.

Aline e a turma do choro: Yarapoan, Paulo Henrique (PH), Eurico Souza e Dudu Mendonça

Caderno W: E as participações em outros projetos, foram muitas? Cite algumas.

Aline: Eu já cantei com o Toquinho, abri o show do Renato Teixeira, cantei no disco do Rabicho, do Henrique Abib, do Paulo Henrique (PH) do Batucaê, de Suzano, da trilha sonora do documentário da Festa do Divino, participo do grupo Jabuticaqui. Eu ouço a música, se ela é bonita e me toca, eu canto. Por enquanto, aconteceu de eu gostar de tudo (rs).

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2 ideias sobre “Aline Chiaradia

  1. parabens! vc merece td sucesso do mundo pq além de ser especial tem uma voz maravilhosa mesmo não podendo estar presente em suas apresentações sabe q torço muito por vc bjkas e muito sucesso…..

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