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Jorginho Abissamra

Dr. Jorginho Abissamra é médico oncologista, com especialização no MD Anderson no Texas (EUA), e chefe da oncologia do Centro Oncológico Alto do Tietê, em Guarulhos.

A dura realidade dos pacientes com câncer

25 de abril de 2017 | Jorginho Abissamra

Estimativa do Instituto Nacional do Câncer, o Inca, aponta que 600 mil novos casos de câncer ocorrem no Brasil por ano, dos quais 60% têm diagnóstico em estágio avançado. Dados preocupantes, uma vez que há grandes barreiras no tratamento oncológico no País, tanto no sistema público quanto no privado.

Uma das grandes dificuldades é a realização de exames diagnósticos por parte de pacientes com suspeita de neoplasia. Tivemos uma discreta ampliação nos exames preventivos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas não avançamos, de modo significativo, nos exames diagnósticos.

Ainda há grandes filas na rede pública para as mulheres fazerem as mamografias, bem como a realização de biopsia de próstata, no caso de homens, além de colonoscopia, endoscopia e broncoscopia, que são os exames essenciais para detectarmos a doença. Esta demora dificulta o tratamento, diminuindo as chances de cura.

Superada a fase do diagnóstico, há o desafio de ordem tecnológica no SUS. As medicações mais modernas no tratamento do câncer ainda não constam na lista do Ministério da Saúde, que disponibiliza apenas quimioterápicos das décadas de 1980 e 1990. As drogas mais recentes, dos últimos 15 anos, não estão acessíveis para o paciente da rede pública no Brasil.

E, ao contrário do que se imagina, no sistema privado os pacientes com câncer também enfrentam muita dificuldade, mesmo tendo direito, garantido por lei, aos tratamentos mais modernos, e, claro, mais caros.

Os convênios acabam dificultando a aprovação de muitas medicações, que podem chegar a custar em torno de R$ 100 mil por mês. Resta ao paciente travar uma batalha judicial contra os planos de saúde.

Vale lembrar que os convênios não cobrem a utilização de todas as medicações mais modernas, e ainda há muitas delas que não estão na lista da Agência Nacional de Saúde.

É lamentável que, diante de um diagnóstico de câncer, tanto os pacientes do SUS quanto os da rede particular tenham de superar estas duras barreiras. Em um momento de tamanha fragilidade, é preciso ter muita garra para se lutar pela vida.

Dr. Jorginho Abissamra é médico oncologista, chefe da oncologia do Centro Oncológico Alto do Tietê, em Suzano.