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Cesar de Oliveira

Cesar de Oliveira é mestre em estilos de cerveja, beer sommelier, tecnólogo em produção cervejeira e proprietário da Ai Pi Ei Consultoria, especializada no mercado cervejeiro. aipiei@aipiei.com

Apoie a cervejaria local!

11 de maio de 2017 | Cesar de Oliveira

 

O mercado artesanal de cerveja não é apenas reconhecido pela qualidade e produtos diferentes. Por trás da produção e atuação das cervejarias, há muitos conceitos envolvidos. Já falamos em colunas anteriores sobre o Beba Menos, Beba Melhor, e agora é a vez de falar sobre apoiar a cervejaria local!

Qual é a principal ideia por trás desta ideia? Basicamente que os consumidores devem dar preferência pela cerveja produzida o mais próximo possível de onde vivem. Na verdade, isso não é algo exclusivo do mercado cervejeiro, já que há vários movimentos de comércio estimulando que as pessoas façam compras em pequenos mercados de bairro, farmácias, lojas, entre outros. A iniciativa quer que o mercado local seja fortalecido pelo consumidor local, o que é bem interessante.

Mas voltando à cerveja . . . Em Mogi ainda não temos uma cervejaria legalizada para consumirmos a cerveja local. Na verdade, em toda a região do Alto Tietê, ainda não há nenhuma fábrica 100% legalizada produzindo cerveja. Alguns cervejeiros caseiros comercializam a sua produção em pequena escala, no entanto, sob o ponto de vista da lei, isso é proibido.

Mesmo que a cidade ainda não tenha uma cervejaria, nada impede de estimularmos o comércio local ligado à cerveja. Temos lojas e bares com uma oferta bem razoável de rótulos, portanto, em vez de priorizar compras em estabelecimentos de São Paulo, ou qualquer outra cidade, um caminho inicial é comprarmos por aqui.

Na hora de escolher os rótulos também é possível dar sua contribuição para o consumo local. Basta dar preferência para aqueles produzidos o mais próximo possível de onde você está comprando. É possível encontrar cervejas produzidas no interior de São Paulo, talvez os locais mais próximos de Mogi.

Há uma infinidade de ótimas marcas, como Invicta (Ribeirão Preto), Colorado (Ribeirão Preto, que agora pertence à Ambev, mas jura que continua sendo uma microcervejaria), Dama (Piracicaba), Burgman (Sorocaba), Bamberg (Votorantim), Los Dias (Taubaté – talvez a mais próxima de todas de Mogi), Madalena (Santo André), BierNards (Jundiaí), entre muitas outras.

Obviamente que ninguém vai deixar de comprar uma cerveja alemã ou inglesa, no entanto, consumindo localmente você estará tomando uma cerveja muito mais fresca e ainda ajudará o negócio local a se desenvolver e se consolidar.

Pense nisso!


Revolução da cerveja

27 de abril de 2017 | Cesar de Oliveira

Você pode até não saber, mas estamos vivendo uma verdadeira revolução cervejeira no Brasil. Temos exemplos aos montes, e até a existência desta coluna é um fato que comprova essa mudança de paradigmas.

As primeiras microcervejarias brasileiras datam da metade da década de 90 – há registros de que as pioneiras foram a Dado Bier, no Rio Grande do Sul, e a Colorado, em Ribeirão Preto. Desde então o mercado não para de crescer. Nos últimos cinco anos houve um boom, e é a partir daí que podemos considerar que estamos vivendo uma verdadeira revolução cervejeira no Brasil.

Faça um teste: pense nas prateleiras de cerveja de um supermercado comum há 10 anos. Você consegue lembrar qual era a quantidade de rótulos disponíveis? Se contarmos uns cinco, estamos sendo generosos, certo? Isso sem levar em consideração que estes eram do mesmo estilo e tinham um perfil sensorial basicamente idêntico.

Agora faça outro teste: preste atenção à mesma prateleira hoje. Os cinco podem até estar lá, mas quantos outros estão disponíveis? Sem medo de errar diria que pelo menos mais uns 10 rótulos. E, entre estes, há uma variedade bem grande de estilos, correto?

Se você considerar uma loja especializada este número é muito maior, com mais de 100 rótulos à disposição do consumidor.

Esta variedade é dos maiores exemplos de como está ocorrendo a revolução cervejeira no Brasil.

As pessoas querem provar rótulos novos diariamente e, para dar conta dessa sede de conhecimento e novidade, as cervejarias lançam produtos constantemente – de acordo com o Instituto da Cerveja do Brasil chegaremos a 500 microcervejarias em 2017, com mais de mil rótulos no mercado. É muita coisa!

Assim como aconteceu com o vinho nos anos 90, a cerveja está ganhando status de um produto premium. Tem muita gente estudando e aprendendo sobre os estilos, processo de produção e

harmonização. A cerveja já está à mesa de restaurantes de altíssima gastronomia e a cada dia que passa tem um reconhecimento maior como um produto democrático e acessível.

Claro que estas cervejas custam um pouco mais. No entanto, é possível descobrir e degustar rótulos cujos valores não são um absurdo – principalmente se compararmos com o vinho. Além disso, os microcervejeiros utilizam o slogan do “Beba menos, beba melhor”, portanto, você não precisa encher a cara para conhecer uma ótima cerveja. Em muitos casos, uma garrafa de 330 mililitros vai proporcionar uma experiência inesquecível. Essa sim é a verdadeira revolução!


Turismo cervejeiro

5 de abril de 2017 | Cesar de Oliveira

Turismo cervejeiro

 

Cerveja combina com muitas coisas, mas com viagens ela é totalmente irresistível. Algumas cervejas disponíveis no Brasil e facilmente encontradas em supermercados e bares, como a irlandesa Guiness ou a alemã Erdinger, por exemplo, são completamente diferentes quando degustadas em seus locais de origem.

Muito provavelmente nem tanto pela qualidade em si, mas pelo contexto e ambiente que envolvem a situação. É por isso que o turismo cervejeiro tem crescido muito em todo o mundo. No Reino Unido, ele só perde para a família real em termos de receita gerada por turistas.

E nem é preciso ir tão longe para degustar uma cerveja diretamente da fonte. Cidades como Cunha, Sorocaba, Votorantin e Piracicaba – todas relativamente perto de Mogi – têm ótimas cervejarias onde você pode conhecer a fábrica e os rótulos. Ter a oportunidade de tomar a cerveja diretamente do tanque de maturação é uma experiência que todo apreciador deveria ter. Tenho certeza que será algo inesquecível para você.

Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina também estão cheios de fábricas incríveis. A maioria tem um bar ou sala de degustação na própria cervejaria, além de tour regulares para conhecer os equipamentos e o processo de produção. Uma dica: sempre veja o site da cervejaria antes de fazer a visita e informe-se como funciona a venda de convites ou agendamento, ok?

Se você tiver oportunidade de viajar para países como Alemanha ou Bélgica, com certeza fará um turismo cervejeiro sem nenhum esforço. Em qualquer bar ou restaurante há opções incríveis de cervejas locais, geralmente super frescas, onde você pode degustá-las com os pratos da culinária tradicional.

Uma dica que parece óbvia, mas que não custa nada lembrar: seja onde você estiver, dê preferência para a cerveja local. Primeiro porque será uma oportunidade única de descobrir o que moradores costumam tomar. Segundo porque ela provavelmente estará muito mais fresca do que qualquer outra. E terceiro: não vejo muito sentido estar em Londres, por exemplo, e querer provar estilos tradicionais belgas. Deixe estes para quando você estiver em Bruxelas.

Sabe o que é melhor disso tudo: é que qualquer viagem pode ser aproveitada para fazer turismo cervejeiro. Com o crescimento das cervejarias e rótulos, muito lugares no mundo estão produzindo ótimas cervejas, portanto, basta fazer uma pesquisa básica antes de embarcar e degustar o maior número de rótulos novos possível.


Você é um cervejochato?

23 de março de 2017 | Cesar de Oliveira

Cerveja

Tenho de começar esta coluna fazendo uma confissão: eu já fui um cervejochato! Aliás, talvez ainda seja um pouco, mas tenho me policiado para não exagerar na dose.

Talvez você tenha um amigo ou amiga assim. Para reconhecê-los é fácil: imagine que vocês estão num bar qualquer, pedem uma cerveja e a pessoa começa a analisá-la: desde a cor, formação da espuma, aromas e sabores. Depois de tudo, ela faz praticamente um discurso sobre o estilo, as características e a história da cervejaria. Pronto. Você estará diante do que muita gente considera um cervejochato.

Isso já aconteceu com o vinho e, cada vez mais, tem crescido entre os apreciadores de cerveja. A verdade é que o degustador mais experiente dificilmente consegue tomar uma cerveja sem fazer algumas análises. É algo natural e nem sempre ele está tentando se exibir ou ser pedante.

Num determinado momento da minha formação achava que tinha de falar tudo sobre aquela cerveja, mesmo que estivesse numa mesa de bar relaxando com os amigos. Claro que eu era o grande chato da turma, porque ali, naquele momento, não era hora de fazer isso. Os amigos podem até pedir indicações e perguntarem sobre determinados rótulos, mas não há necessidade de, a cada nova garrafa aberta, dar um sermão em todos.

Na verdade, o cervejochato já começa a complicar as coisas antes mesmo de chegar ao bar: basta um convite para que ele faça a primeira pergunta: quais cervejas o lugar oferece? Se tiver apenas marcas comerciais e convencionais, o convite precisa ser muito especial para não ser negado ou negociada a troca para um lugar com mais opções.

Depois de anos estudando, aprendi que há uma cerveja certa para cada ocasião. Em uma festa, por exemplo, não adianta eu achar que encontrarei aquele rótulo super-raro e complexo para servir 50 pessoas. O interessante é conseguir se divertir e aproveitar o que estiver sendo servido, mesmo que seja uma cerveja menos intensa ou complexa.

Tenho percebido um crescimento muito grande destes chamados cervejochatos. Muita gente está começando a conhecer e apreciar cervejas especiais e, em muitos casos, misturam essa empolgação com presunção ou prepotência.

Quem está iniciando tende a dar valor apenas a estilos considerados da moda, enquanto negligenciam rótulos clássicos e superimportantes para a história da cerveja no mundo. Eu mesmo já fiz isso.

O interessante é amadurecer e aprender a reconhecer que todo estilo de cerveja tem o seu valor. A partir disso, tenho certeza de que você vai começar a enxergar os rótulos de uma maneira bem diferente e aproveitar muito mais as companhias e amizades, mesmo que naquele momento estejam sendo servidas cervejas mais simples.

Ther Brewing Industry International Awards – Judging, Burton 2011